Conhecer a Palavra

Subsidio Lição 4: Uma Igreja cheia do Espírito Santo

Lição 4: Uma Igreja cheia do Espírito Santo

Subsidio Lição 4: Uma Igreja cheia do Espírito Santo | EBD Adulto| 3º Trimestre 2025 | Pastor José Gonçalves

 

TEXTO ÁUREO

E, tendo orado, moveu-se o lugar em que estavam reunidos; e todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus.(At 4.31).

VERDADE PRÁTICA

Uma igreja cheia do Espírito Santo suporta aflições, ora com poder e ousa no testemunho cristão.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Atos 4.24-31.

INTRODUÇÃO

Nesta lição, veremos como uma igreja cheia do Espírito Santo se comporta. A partir do capítulo 4.24-31 do livro de Atos dos Apóstolos, encontramos uma das principais marcas que caracterizam a igreja de Jerusalém: a perseverança. Uma igreja perseverante é capacitada para dar testemunho de sua fé mesmo que em meio ao fogo da provação (1Pe 4.12). Essa igreja suporta as provações porque é cheia do Espírito.

Por causa do Evangelho, ela renuncia seu próprio bem-estar e não aceita ficar na “zona de conforto”. Na verdade, sem a capacitação do Espírito, o Corpo de Cristo não suporta as provas para cumprir sua missão no mundo. Outra marca uma igreja cheia do Espírito Santo é a sua capacidade de orar com poder e, por isso, impactar o mundo ao seu redor. Essa oração fortalece a igreja, capacita-a a testemunhar de maneira eficaz. Da mesma forma, uma igreja cheia do Espírito Santo é marcada pela ousadia para proclamar o Evangelho com poder. E, por isso, se tornar relevante para o mundo.

Palavras-Chave:

ESPÍRITO SANTO

I. UMA IGREJA PERSEVERANTE

1. Suporta o sofrimento.

Após sua pregação junto à Porta Formosa, Pedro e João são levados presos (At 4.3) e, posteriormente, ameaçados por pregarem o nome de Jesus (At 4.17). Foi dito a eles que não falassem nem ensinassem no nome do Senhor (At 4.18). A ordem era clara, mas os apóstolos estavam dispostos a pagarem o preço de não segui-la. Eles suportariam tudo por amor a Jesus. Agiam com perseverança. Isso só foi possível porque Pedro, que falava por si e pelos demais apóstolos, havia sido cheio do Espírito Santo (At 4.8). O tempo verbal do grego usado no versículo 8 (tendo sido cheio) demonstra que o apóstolo, que já havia sido batizado no Espírito Santo, no Pentecostes (At 2.4), foi revestido novamente do poder do alto. Uma igreja continuamente cheia do Espírito suporta as provas e o sofrimento.

Em meio às pressões e perseguições enfrentadas pela igreja primitiva, a atitude de Pedro e João demonstra como o sofrimento pode ser enfrentado com coragem quando se está cheio do Espírito Santo. A prisão dos apóstolos, logo após a cura do coxo na Porta Formosa, não se deu por um crime ou injustiça cometida, mas por pregarem a verdade acerca de Jesus Cristo. O sofrimento, nesse contexto, era o resultado direto da fidelidade ao chamado de Deus. Ainda assim, diante da ordem explícita de não mais falarem no nome do Senhor, os apóstolos não hesitaram. Preferiram desobedecer aos homens do que desonrar o compromisso que tinham com Cristo. Essa decisão nos ensina que o sofrimento por amor ao evangelho não é motivo de vergonha, mas de honra diante de Deus.

Pedro, ao responder aos líderes religiosos, não o fez por teimosia humana, mas sob a direção e ousadia concedidas pelo Espírito Santo.

O texto bíblico afirma que ele foi novamente cheio do Espírito (At 4.8), indicando que esse revestimento não é um evento isolado, mas uma capacitação contínua para suportar as provas do caminho. A vida cristã não está isenta de dificuldades. Pelo contrário, o próprio Jesus declarou que os seus seguidores seriam perseguidos por causa do seu nome (Jo 15.20). O sofrimento, portanto, faz parte do caminho daquele que decide viver em obediência à vontade de Deus.

Entretanto, o que distingue o sofrimento do crente não é apenas a causa pela qual ele sofre, mas a maneira como ele o enfrenta. Cheios do Espírito, os apóstolos não apenas suportaram as ameaças, como também oraram com ousadia e alegria, pedindo mais poder para continuarem a proclamar a Palavra (At 4.29-31). Esse comportamento revela que o sofrimento, longe de enfraquecer a fé, pode fortalecê-la quando há uma vida espiritual ativa e constante comunhão com Deus. A resistência às adversidades não nasce da força humana, mas da dependência contínua do Espírito de Deus.

2. Não negocia seus valores.

Quando a classe sacerdotal intimou os apóstolos e lhes deram ordem expressa para que eles não falassem nem ensinassem no nome de Jesus, a resposta dos apóstolos foi: “Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus” (At 4.19). Em outras palavras, os apóstolos afirmaram que não negociariam a sua fé. Não abririam mão dos valores da fé que haviam recebido, pois eles são inegociáveis. Uma das marcas de uma igreja que perdeu ou está perdendo o poder do Espírito é a sua aceitação de princípios e práticas que afrontam as Escrituras.

Quando receberam a ordem para não mais ensinarem ou falarem em nome de Jesus, Pedro e João responderam com firmeza e convicção, deixando evidente que não estavam dispostos a negociar os princípios da fé cristã. Ao dizerem: “Julgai vós se é justo, diante de Deus, ouvir-vos antes a vós do que a Deus” (At 4.19), eles reafirmaram a autoridade suprema da Palavra de Deus sobre qualquer outra autoridade. Essa resposta não foi motivada por rebeldia ou arrogância, mas por uma submissão consciente e piedosa à vontade do Senhor. Eles sabiam que a fidelidade a Cristo exige compromisso inegociável com a verdade revelada.

Ao longo da história da Igreja, a tentação de ceder às pressões externas tem sido constante. Muitos grupos e líderes têm se rendido às ideologias do tempo presente e adaptado suas doutrinas à cultura, abrindo mão da fidelidade às Escrituras em nome da aceitação social.

Contudo, o verdadeiro cristão entende que a fé não se adapta ao mundo; pelo contrário, ela confronta o mundo com a luz do evangelho. Quando uma igreja se afasta dos valores da Palavra, ela perde o poder espiritual que vem do alto. Paulo advertiu a Timóteo sobre isso, afirmando que nos últimos dias muitos teriam aparência de piedade, mas negariam a eficácia dela (2 Tm 3.5). Essa aparência religiosa, desprovida de obediência verdadeira, é o resultado direto da negociação de princípios inegociáveis.

Os apóstolos sabiam que a obediência a Deus teria consequências. Já haviam sido presos e ameaçados, e não ignoravam os perigos que corriam. Mesmo assim, não abriram mão do que acreditavam. Essa postura nos ensina que a fidelidade exige coragem. Não se trata apenas de palavras, mas de atitudes firmes diante das tentações e pressões. Em um mundo onde muitos relativizam a verdade e tratam princípios eternos como opiniões passageiras, a igreja precisa manter-se firme, ancorada na Palavra. A verdade bíblica não muda com o tempo, nem se adapta às vontades humanas. Jesus afirmou que “passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar” (Mt 24.35), e isso deve nos lembrar de que tudo o que é construído fora desse alicerce não permanecerá.

Por isso, uma igreja cheia do Espírito Santo jamais negocia seus valores. Ela permanece firme no evangelho, mesmo que isso signifique oposição, perseguição ou rejeição.

A fé cristã não pode ser moldada conforme os interesses de grupos ou sistemas, mas deve ser vivida com integridade, coragem e compromisso com a verdade divina. Os apóstolos nos deixaram esse exemplo: não se calaram, não recuaram, não suavizaram sua mensagem. E por isso, impactaram o mundo. O mesmo Espírito que os encheu está disponível à igreja hoje. Cabe a nós, como servos de Cristo, decidir se vamos agradar aos homens ou permanecer fiéis ao nosso Senhor.

3. Está convicta de sua fé.

Uma igreja cheia do Espírito Santo está convicta de sua fé. Não se apoia em suposições, mas em fatos (At 4.20). Os primeiros cristãos não apenas ouviram sobre Deus, mas também testemunharam suas obras. Quando Filipe pregou em Samaria, os samaritanos se convenceram porque “ouviam” e “viam” os sinais que Filipe fazia (At 8.6). Alguém já disse que Deus é plenamente obedecido no céu porque lá Ele é visto, enquanto na terra, muitas vezes, é desobedecido por ser apenas ouvido. No entanto, a igreja cheia do Espírito não apenas proclama a Palavra, mas também manifesta a obra de Deus (Rm 15.18,19). Jesus foi poderoso tanto em palavras quanto em obras (Lc 24.19).

Quando os apóstolos declararam: “Porque não podemos deixar de falar do que temos visto e ouvido” (At 4.20), eles estavam afirmando que sua pregação era fruto de uma convicção profunda, nascida do contato direto com a ação de Deus em suas vidas. Eles não estavam apenas repetindo doutrinas aprendidas, mas compartilhando o que haviam experimentado pessoalmente. Essa certeza inabalável é uma das marcas de uma igreja cheia do Espírito Santo. Ela não vive de informações sobre Deus, mas de experiências transformadoras que fortalecem a fé e sustentam a perseverança.

A fé cristã, quando genuína, se manifesta de forma visível e concreta. Em Samaria, os samaritanos não creram apenas pelas palavras de Filipe, mas também pelos sinais que o acompanhavam (At 8.6).

Isso nos mostra que a proclamação da Palavra e a manifestação do poder de Deus caminham juntas. Quando a igreja está cheia do Espírito, o evangelho que ela anuncia é confirmado por vidas transformadas, curas, libertações e sinais que apontam para a soberania de Cristo. Essa realidade está em consonância com o que Paulo escreveu aos romanos, ao afirmar que não ousava falar de coisa alguma senão daquilo que Cristo fazia por meio dele, com poder de sinais e prodígios pelo Espírito de Deus (Rm 15.18-19). Assim, a convicção da fé não vem de discursos vazios, mas de um evangelho vivido com poder e verdade.

Jesus, durante seu ministério, foi reconhecido como alguém poderoso em palavras e obras (Lc 24.19). Ele não apenas ensinava com autoridade, mas também demonstrava o Reino de Deus com ações concretas. Da mesma forma, a igreja precisa manter esse padrão. Uma fé que se limita ao discurso não convence e não transforma. Já uma fé que se manifesta em amor, santidade, serviço e poder sobrenatural torna-se testemunho vivo da presença de Deus entre os homens. Isso gera convicção não apenas nos crentes, mas também nos que estão ao redor, que percebem que há algo diferente, verdadeiro e eficaz naqueles que seguem a Cristo.

II. UMA IGREJA QUE ORA COM PODER

1. Orando com propósito.

Observamos na oração do capítulo 4.24-30 de Atos dos Apóstolos que os crentes oram para que Deus seja glorificado por meio de um evangelismo de poder. Eles oraram com um propósito e, por isso, foram específicos. Não foi, portanto, uma oração vaga. Nela, eles oraram para que Deus exercesse a sua soberania e agisse por meio deles, dando-lhes poder para testemunhar do Senhor Jesus. Nesse sentido, o propósito da oração foi para que Deus fosse glorificado na resposta.

A oração feita pelos primeiros cristãos em Atos 4 não foi fruto de desespero ou medo, mas de uma convicção madura e direcionada. Diante das ameaças recebidas, eles se uniram não para pedir livramento imediato ou vingança contra os seus opositores, mas para rogar que o Senhor continuasse operando por meio deles, com poder e ousadia. Essa oração revela uma igreja que entende seu papel e busca alinhar seus pedidos à vontade soberana de Deus. Não se tratava de uma oração genérica, mas de uma súplica específica: que o Senhor concedesse coragem para anunciar a Palavra e estendesse a mão para curar e realizar sinais e prodígios em nome de Jesus (At 4.29-30). Essa clareza de propósito demonstra que os cristãos estavam preocupados, acima de tudo, em glorificar a Deus por meio de um evangelismo eficaz.

Orar com propósito significa compreender que a oração não é um fim em si mesma, mas um meio de comunhão com Deus e de participação em Sua obra.

Os discípulos não estavam interessados apenas em conforto ou proteção, mas desejavam ser instrumentos ativos no plano divino. Essa postura reflete maturidade espiritual. Eles reconheciam que Deus é soberano sobre todas as coisas, inclusive sobre as ameaças que sofriam. Por isso, antes de pedir qualquer coisa, exaltaram ao Senhor como o Criador do céu, da terra e do mar, e reafirmaram a confiança no cumprimento de Suas promessas. Essa atitude revela que o verdadeiro propósito da oração é que Deus seja glorificado, não apenas atendendo aos nossos pedidos, mas realizando a Sua vontade através de nós.

A oração eficaz é aquela que nasce de um coração alinhado com os propósitos do Reino. Jesus mesmo nos ensinou a orar dizendo: “Venha o teu reino. Seja feita a tua vontade” (Mt 6.10). Quando oramos com esse entendimento, deixamos de apresentar apenas listas de desejos pessoais e passamos a interceder para que o nome de Deus seja exaltado em tudo o que fazemos. Os cristãos em Atos sabiam que a missão de proclamar o evangelho era maior do que suas próprias vidas, por isso oraram para que, mesmo diante das adversidades, pudessem continuar anunciando a verdade com poder.

Além disso, o resultado da oração mostra que Deus honra aqueles que oram com propósito. O texto afirma que, ao terminarem de orar, o lugar onde estavam reunidos tremeu, e todos foram cheios do Espírito Santo, anunciando com ousadia a Palavra (At 4.31). Isso confirma que quando buscamos a Deus com sinceridade, intencionalidade e foco na glória dEle, Ele responde com poder. Uma igreja que ora assim não se contenta com formalismos ou repetições vazias, mas deseja ver o mover de Deus operando no meio dela.

2. Orando em unidade.

“E, ouvindo eles isto, unânimes levantaram a voz a Deus” (At 4.24). A Concordância de Strong explica que a palavra “unânimes” vem do termo grego homothymadon, que significa um grupo de pessoas agindo com o mesmo propósito e em total harmonia. Isso mostra que havia unidade e concordância na oração. Uma igreja cheia do Espírito Santo é unida. Ela sabe respeitar as diferenças e entende que unidade não significa que todos são iguais. No meio da igreja, há crentes mais experientes e outros que ainda estão aprendendo; há aqueles que são maduros na fé e há os que ainda estão amadurecendo na caminhada cristã. Mas nada disso impede que a igreja se una em oração, buscando a Deus com o mesmo propósito.

O texto declara que, ao ouvirem as ameaças contra os apóstolos, todos “unânimes levantaram a voz a Deus” (At 4.24). Essa expressão revela que não houve divisão de pensamentos, vaidade pessoal ou disputas por destaque. Pelo contrário, havia um só coração e uma só voz diante de Deus. O termo grego usado — homothymadon — indica um grupo agindo em perfeita harmonia, movido pelo mesmo propósito. Isso demonstra que a presença do Espírito Santo gera uma unidade que não é construída por afinidades humanas, mas pelo compromisso coletivo com a vontade de Deus.

Uma igreja cheia do Espírito é capaz de orar em unidade mesmo em meio à diversidade. Nela, não há espaço para rivalidades ou interesses próprios, porque o foco está no Reino.

A maturidade espiritual não está em todos pensarem da mesma forma sobre tudo, mas em todos se submeterem à direção do Espírito Santo e orarem com o mesmo propósito. Há crentes com histórias, níveis de conhecimento e dons distintos, mas todos podem dobrar os joelhos com um só clamor: que Deus seja glorificado. Isso é o que torna a igreja forte e inabalável diante das adversidades. A unidade na oração cria um ambiente onde Deus opera com liberdade, pois há comunhão, humildade e disposição para obedecer.

Jesus já havia ensinado esse princípio ao dizer que onde dois ou três estivessem reunidos em seu nome, ali Ele estaria no meio deles (Mt 18.20). A união na oração traz a presença manifesta de Cristo. Não por uma fórmula mística, mas porque Ele se agrada quando o Seu povo se reúne em concordância, demonstrando fé e dependência coletiva. O Salmo 133 também destaca o valor da unidade ao compará-la com o óleo precioso que desce sobre a cabeça de Arão — símbolo da unção divina. Ou seja, onde há unidade, o Espírito derrama sua bênção e capacitação.

Na prática, isso nos ensina que a oração da igreja não deve ser marcada por egoísmo, individualismo ou interesses isolados. Mesmo tendo diferentes necessidades, o povo de Deus deve aprender a buscar juntos aquilo que é eterno e essencial: a glória de Deus, a expansão do evangelho e o fortalecimento dos irmãos. Quando uma igreja ora com esse entendimento, as diferenças deixam de ser obstáculos e passam a ser elementos que enriquecem a comunhão. A oração em unidade não apaga a individualidade, mas eleva o coletivo a um novo nível de maturidade e eficácia espiritual.

3. Orando fundamentada na Palavra de Deus.

Ao orarem, os crentes citaram o Salmos 2.1,2: “que disseste pela boca de Davi, teu servo: Por que bramaram as gentes, e os povos pensaram coisas vãs?” (At 4.25). Não basta orar. É preciso orar tomando por base a Palavra de Deus. Orar fundamentado na Palavra é orar crendo e afirmando as suas verdades. Uma oração feita fora da Palavra de Deus não terá nenhuma garantia de ser respondida porque Ele vela pela sua Palavra para a cumprir (Jr 1.12). Não há dúvidas de que a falta de fundamentação bíblica pode estar por trás do fracasso na vida de oração.

Ao enfrentarem ameaças e perseguições, os primeiros crentes não reagiram com desespero, tampouco improvisaram palavras ao acaso. Em vez disso, começaram sua súplica citando o Salmo 2, reconhecendo que as situações vividas por eles já estavam previstas nas Escrituras. Essa atitude demonstra que a oração fundamentada na Palavra é uma oração cheia de fé, discernimento e maturidade espiritual. Eles oraram, crendo que Deus cumpriria o que já havia dito, pois sabiam que o Senhor vela sobre a Sua Palavra para a cumprir (Jr 1.12).

Muitos hoje se frustram em suas orações porque oram de forma desconectada da vontade de Deus revelada nas Escrituras. Fazem orações centradas em desejos pessoais, ideias humanas ou até mesmo em ensinamentos distorcidos, sem considerar o que a Bíblia realmente diz.

No entanto, a Palavra de Deus é a base segura sobre a qual toda oração deve ser construída. Quando nos apoiamos nela, nossas palavras ganham direção e autoridade espiritual. A oração deixa de ser apenas um desabafo e passa a ser uma declaração de fé nas promessas do Senhor.

Por isso, o próprio Jesus nos ensinou: “Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito” (Jo 15.7). A presença da Palavra em nosso coração alinha nossa vontade à de Deus, e isso dá poder à nossa oração.

A igreja de Atos compreendia que o que estava acontecendo com eles já fazia parte do plano redentor de Deus. Os reis e príncipes que se levantavam contra Jesus, conforme o Salmo 2, representavam a rebelião das nações contra o Ungido do Senhor. Ao citar esse texto, os discípulos estavam dizendo a Deus: “Sabemos que tudo o que estamos enfrentando não está fora do Teu controle, pois já foi revelado na Tua Palavra”. Essa consciência traz confiança ao orar. Saber que Deus já havia anunciado as dificuldades e que Ele permanece soberano fortalece a fé e dá segurança ao coração, mesmo em meio à oposição.

Orar fundamentado na Palavra também nos protege do engano.

Ela é o filtro que nos ajuda a discernir o que está de acordo com a vontade de Deus e o que não está. Quando nos alimentamos das Escrituras, aprendemos a pedir com entendimento, sem cair na tentação de buscar aquilo que é contrário ao caráter divino. Tiago advertiu que muitos não recebem porque pedem mal, visando satisfazer seus próprios prazeres (Tg 4.3). Isso mostra a importância de alinhar nossa oração à revelação bíblica. Não se trata de repetir versículos como fórmulas mágicas, mas de orar com base em verdades eternas, confiando no que Deus já declarou.

III. UMA IGREJA OUSADA NO SEU TESTEMUNHO

1. Ousadia para enfrentar oposição ao Evangelho.

Os crentes oraram conscientes dos obstáculos que estavam enfrentando: “Olha para suas ameaças” (v.29). Já foi dito que uma igreja cheia do Espírito é uma igreja perseverante. Ela suporta a oposição e o sofrimento por causa do Evangelho. Deve ser destacado ainda que uma igreja verdadeiramente bíblica sofrerá rejeição e oposição: “E na verdade todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm 3.12). Uma igreja que procura se ajustar à agenda do Estado perdeu a sua autoridade espiritual e sua legitimidade bíblica.

Diante das ameaças e da oposição explícita, eles não pediram para que seus inimigos fossem destruídos, nem buscaram proteção em alianças políticas ou acomodações com o sistema religioso da época. Pelo contrário, clamaram ao Senhor pedindo ousadia para continuar proclamando a Palavra (At 4.29). Essa atitude nos mostra que a verdadeira coragem espiritual nasce da plena consciência de quem é Deus, de Sua soberania, e do compromisso com o evangelho, ainda que isso traga consigo dor, rejeição ou perseguição.

A oposição ao evangelho não é uma exceção, mas uma realidade inevitável para a igreja fiel. O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito, foi claro ao afirmar que “todos os que querem viver piamente em Cristo Jesus padecerão perseguições” (2Tm 3.12).

Isso significa que quanto mais uma igreja se aproxima do padrão bíblico, mais ela se distancia do espírito deste mundo. A verdade confronta o pecado, e essa confrontação sempre causará resistência. Portanto, uma igreja que vive com ousadia não teme a oposição; ela a enfrenta com firmeza, sabendo que está no centro da vontade de Deus. Essa ousadia não é arrogância, mas confiança espiritual baseada na Palavra e fortalecida pela oração.

Infelizmente, em muitos contextos, tem-se visto igrejas tentando moldar-se às exigências do mundo para evitar conflitos. Quando isso acontece, perdem-se a autoridade espiritual e a fidelidade às Escrituras. Uma igreja que se ajusta à agenda do Estado ou às modas ideológicas do tempo presente compromete sua missão e esvazia sua mensagem. A verdadeira igreja, no entanto, continua sendo sal e luz (Mt 5.13-14), mesmo que isso a coloque em rota de colisão com os valores dominantes da sociedade. Ela não se cala diante da injustiça, não se omite diante do pecado, e não negocia suas convicções em nome da conveniência.

Ousadia, nesse sentido, é a disposição de obedecer a Deus acima de qualquer autoridade humana. Foi o que os apóstolos demonstraram ao declarar: “Mais importa obedecer a Deus do que aos homens” (At 5.29). Essa postura deve ser mantida por todos aqueles que desejam ser fiéis ao chamado do evangelho. Não se trata de buscar conflitos deliberadamente, mas de manter-se firme quando eles vierem como resultado da fidelidade a Cristo. Uma igreja ousada ora, prega, evangeliza e serve com coragem, mesmo quando tudo ao redor aponta para o contrário. Ela sabe que o seu papel não é agradar ao mundo, mas ser instrumento de Deus para transformá-lo.

2. Ousadia no exercício dos dons espirituais.

O evangelista nos informa que, tendo eles orado, todos “foram cheios do Espírito Santo” (At 4.31). No ensino de Lucas (como em Paulo, cf. 1Co 14.12; Ef 5.18), o enchimento do Espírito está diretamente relacionado à prática dos dons espirituais na igreja cristã. Não se trata, portanto, apenas do uso de uma frase de efeito. No livro de Atos dos Apóstolos, é o Espírito Santo quem dá o crescimento da Igreja e opera milagres extraordinários, não somente por meio dos apóstolos, mas também pelos demais cristãos. É a ação do Espírito de Deus entre eles que realiza essas obras (At 6.3,5; At 8.5-7; 13.9). Devemos, portanto, nos encher do Espírito Santo para que seus dons tragam edificação à Igreja.

Após a oração registrada em Atos 4.31, o texto afirma que todos foram cheios do Espírito Santo e, imediatamente, passaram a anunciar a Palavra de Deus com ousadia. Isso demonstra que o enchimento do Espírito não é um fim em si mesmo, mas está diretamente ligado à manifestação visível dos dons espirituais em favor da edificação da Igreja e da propagação do evangelho. Essa ousadia sobrenatural não se limita à fala corajosa, mas inclui sinais, curas, revelações e demais dons que tornam a presença de Deus evidente no meio do povo.

O ensino de Lucas no livro de Atos é coerente com o que Paulo apresenta em suas epístolas. Em 1 Coríntios 14.12, por exemplo, Paulo exorta os crentes a buscarem os dons espirituais com zelo, visando a edificação da igreja.

Em Efésios 5.18, ele ordena que os cristãos sejam continuamente cheios do Espírito, indicando que essa plenitude precisa ser buscada e renovada constantemente. Portanto, o enchimento do Espírito é mais do que uma experiência pontual; é a fonte de poder para que os dons se manifestem com propósito e reverência. Quando a igreja está cheia do Espírito, ela exerce os dons com responsabilidade, discernimento e ousadia, tornando-se instrumento de milagres e de transformação espiritual.

Os exemplos ao longo do livro de Atos confirmam essa realidade. Estêvão, cheio do Espírito, não apenas pregava com sabedoria, mas realizava prodígios entre o povo (At 6.5,8). Filipe, igualmente cheio do Espírito, evangelizou em Samaria com poder, e muitos foram libertos de enfermidades e possessões demoníacas (At 8.6-7). Em Atos 13.9, Paulo, cheio do Espírito, exerceu autoridade espiritual para repreender um opositor do evangelho. Esses episódios deixam claro que os dons espirituais não eram privilégio exclusivo dos apóstolos, mas estavam à disposição de toda a igreja cheia do Espírito. A ousadia no uso desses dons não significava desordem, mas sim um agir intencional, dirigido pelo Espírito para glorificar a Cristo e fortalecer o Corpo.

Contudo, é importante lembrar que os dons espirituais não operam com eficácia onde há negligência da comunhão com Deus. A plenitude do Espírito requer entrega, santidade e disposição para servir. Não se trata de buscar os dons por vaidade ou exibição, mas por amor à igreja e por zelo pela glória de Deus. Quando os crentes estão verdadeiramente cheios do Espírito, os dons fluem com liberdade, e a ousadia espiritual se torna evidente, impactando vidas e gerando frutos que permanecem.

3. Ousadia na exposição da Palavra.

As Escrituras dizem que, após a oração da igreja, “todos foram cheios do Espírito Santo e anunciavam com ousadia a palavra de Deus” (At 4.31). É interessante observarmos o uso da palavra “ousadia” nesse texto. Ela aparece, por exemplo, em Atos 4.13 para se referir à coragem de Pedro e João quando foram interrogados pelos anciãos e escribas. O cristão cheio do Espírito se torna corajoso em sua vida cristã. Ele prega a Palavra de Deus com poder.

Em Atos 4.31, lemos que, após a oração, todos foram cheios do Espírito e, imediatamente, “anunciavam com ousadia a palavra de Deus”. Essa ousadia, no contexto bíblico, não é arrogância nem imprudência, mas uma coragem espiritual concedida por Deus, que permite ao cristão falar com firmeza, clareza e convicção, mesmo diante de ameaças, oposição ou perseguição. Não se trata apenas de falar alto ou com emoção, mas de proclamar a verdade de Deus sem distorções, sem temor dos homens e sem compromisso com os interesses deste mundo.

A palavra “ousadia”, usada também em Atos 4.13, descreve a postura de Pedro e João diante das autoridades religiosas. Apesar de serem considerados homens sem letras e indoutos, causaram admiração por falarem com autoridade, resultado direto de estarem cheios do Espírito e de terem estado com Jesus. Isso nos ensina que a ousadia para pregar não depende da formação acadêmica ou de habilidades naturais, mas da intimidade com Cristo e da ação do Espírito Santo na vida do crente.

Quando alguém é cheio do Espírito, ele não se esconde, não se cala e não acomoda a verdade para agradar ouvintes. Pelo contrário, ele fala com autoridade porque fala da parte de Deus.

Essa ousadia é essencial para que a Palavra cumpra seu propósito de confrontar, corrigir, consolar e transformar. Em um mundo cada vez mais hostil à verdade bíblica, o pregador corajoso é aquele que, como Paulo, afirma: “ai de mim se não anunciar o evangelho” (1 Co 9.16). A ousadia, portanto, não é opcional, mas necessária para quem deseja ser fiel à missão recebida. Não se pode pregar a verdade de forma tímida ou envergonhada. A Palavra de Deus é viva e poderosa, e deve ser anunciada com a mesma intensidade com que foi inspirada.

A igreja dos nossos dias precisa recuperar essa ousadia na exposição das Escrituras. Em muitos contextos, vemos a pregação sendo suavizada, adaptada ou até silenciada para evitar confrontos. Porém, uma igreja cheia do Espírito não teme as consequências da fidelidade à Palavra. Ela entende que agradar a Deus é mais importante do que ser bem aceita pela sociedade. O Espírito Santo, ao encher os corações, concede ousadia não apenas para pregar, mas para viver aquilo que se prega. Essa coerência entre mensagem e vida é o que torna o testemunho cristão poderoso e relevante.

CONCLUSÃO

Nesta lição, vimos o que caracteriza, de fato, uma igreja pentecostal. Suas características se tornam visíveis e estão diretamente associadas à plenitude do Espírito Santo. A Primeira Igreja não foi perfeita, como o livro de Atos deixa bem claro. Contudo, suas limitações eram superadas por um viver diário sob a capacitação do Espírito Santo. Se queremos, de fato, ser uma igreja relevante, devemos nos deixar encher do Espírito Santo.

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