TEXTO ÁUREO
“E vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.” (1Jo 4.14).
VERDADE PRÁTICA
A paternidade de Deus é revelada no envio do Filho e na concessão do Espírito, confirmando nossa filiação e aperfeiçoando-nos no amor.
LEITURA BÍBLICA EM CLASSE
13 — Nisto conhecemos que estamos nele, e ele em nós, pois que nos deu do seu Espírito,
14 — e vimos, e testificamos que o Pai enviou seu Filho para Salvador do mundo.
15 — Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus.
16 — E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor e quem está em amor está em Deus, e Deus, nele.
INTRODUÇÃO
Nesta lição, estudaremos como o Pai revela sua paternidade por meio da Trindade. Veremos que esta paternidade é reconhecida na confissão de Cristo e aperfeiçoada em nós pelo amor, garantindo nossa comunhão com Ele, capacitando-nos a viver com confiança, fidelidade e expressão visível da nossa filiação diante do mundo.
Palavra-Chave:
PATERNIDADE
I. A REVELAÇÃO DA PATERNIDADE DO PAI
1. Definição da paternidade do Pai.
A Paternidade é atributo da Primeira Pessoa da Trindade, que opera por meio do Filho e do Espírito Santo: “um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos vós” (Ef 4.6). O Pai é a fonte de tudo, Ele é soberano (1Co 8.6), Ele é o princípio sem princípio, Ele não é gerado (Jo 1.18), mas é Aquele que gera o Filho (Sl 2.7; Hb 1.5) e de quem, junto com o Filho, procede o Espírito Santo (Jo 14.26). Entender a paternidade divina é uma fonte de consolo. Podemos confiar no cuidado do Pai, pois Ele é o originador de toda boa dádiva (Tg 1.17).
Quando falamos da paternidade de Deus, precisamos compreender que não estamos tratando apenas de uma metáfora ou figura de linguagem.
A Bíblia revela que a paternidade é um atributo próprio da Primeira Pessoa da Trindade. Deus é Pai em sua essência. Ele não se tornou Pai em determinado momento, nem assumiu esse papel por causa da criação ou da redenção. Ele sempre foi Pai.
O apóstolo Paulo afirma que existe “um só Deus e Pai de todos” (Ef 4.6). Essa declaração mostra que o Pai é a fonte suprema de tudo o que existe. Nada existe fora da sua vontade soberana. Por isso, Paulo também ensina que “para nós há um só Deus, o Pai, de quem é tudo” (1Co 8.6). O Pai não depende de ninguém; Ele é o princípio sem princípio, eterno, autoexistente e soberano sobre todas as coisas.
A paternidade do Pai se manifesta de maneira clara dentro da Trindade. Ele gera o Filho, não no sentido de criação, mas de relacionamento eterno. A Escritura diz: “Tu és meu Filho, eu hoje te gerei” (Sl 2.7). O autor de Hebreus confirma que esse relacionamento distingue o Filho de toda criatura (Hb 1.5). O Filho procede do Pai e compartilha da mesma natureza divina, sendo verdadeiro Deus.
Além disso, o Pai também é aquele de quem procede o Espírito Santo, enviado em nome do Filho (Jo 14.26).
Isso mostra que a atuação do Pai nunca é isolada, mas sempre em perfeita harmonia com o Filho e o Espírito. A Trindade não é confusão, mas comunhão perfeita.
Entender Deus como Pai traz consolo e segurança espiritual. Não servimos a um Deus distante ou indiferente, mas a um Pai que cuida, sustenta e provê. Tiago declara que “toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes” (Tg 1.17). Portanto, confiar no Pai é descansar na certeza de que Ele governa tudo com amor, fidelidade e justiça.
2. A paternidade eterna do Pai.
A Paternidade de Deus não tem início no tempo. Deus é Pai desde toda a eternidade. Na oração sacerdotal Jesus disse: “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.5). Este texto ensina que o relacionamento entre o Pai e o Filho é anterior à criação, revelando que a identidade de Deus como Pai é eterna. Não houve momento em que Deus se tornou Pai. O Pai sempre foi Pai, o Filho sempre foi Filho e o Espírito sempre foi Espírito (Ef 1.3,4; Hb 1.2,3; 9.14).
A Escritura revela que Deus não assumiu a paternidade em determinado momento da história; ser Pai pertence à sua própria identidade eterna.
Antes de existir criação, tempo ou humanidade, Deus já se relacionava como Pai, Filho e Espírito Santo.
Na oração sacerdotal, Jesus declara: “E, agora, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse” (Jo 17.5). Essa afirmação é decisiva, pois mostra que a comunhão entre o Pai e o Filho é anterior à criação. Não se trata apenas de coexistência, mas de um relacionamento pessoal, marcado por glória compartilhada, amor e unidade. Logo, a paternidade de Deus não nasce da criação; a criação é fruto dessa relação eterna.
Isso significa que nunca houve um momento em que Deus esteve sozinho ou incompleto. O Pai sempre foi Pai porque sempre existiu o Filho; o Filho sempre foi Filho porque sempre esteve com o Pai; e o Espírito Santo sempre existiu como a Terceira Pessoa da Trindade, compartilhando da mesma essência divina. Essa verdade exclui qualquer ideia de que Deus precisou criar para exercer paternidade ou amor. Deus é amor em si mesmo (1Jo 4.8), e esse amor é eternamente vivido dentro da Trindade.
O apóstolo Paulo reforça essa realidade ao afirmar que Deus nos escolheu em Cristo “antes da fundação do mundo” (Ef 1.4).
Essa eleição eterna só é possível porque o Pai já se relacionava com o Filho antes do tempo. A redenção não é um plano improvisado, mas uma expressão histórica de um propósito eterno que nasce no coração do Pai e se realiza no Filho, pelo Espírito.

O autor de Hebreus também esclarece que o Filho é “o resplendor da glória e a expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3). Essa declaração aponta para uma relação eterna e contínua entre o Pai e o Filho. O Filho revela perfeitamente o Pai porque sempre esteve com Ele, compartilhando da mesma natureza. Além disso, Hebreus 9.14 chama o Espírito Santo de “Espírito eterno”, confirmando que a Trindade não está sujeita ao tempo.
Compreender a paternidade eterna do Pai tem implicações diretas para a nossa fé. Primeiro, isso garante que o amor do Pai é estável, imutável e confiável, pois não depende das circunstâncias da história humana. Segundo, mostra que nossa filiação em Cristo não é algo frágil ou temporário, mas está enraizada em um plano eterno. Fomos amados e pensados antes que o mundo existisse, e fomos inseridos, pela graça, nessa relação viva entre o Pai, o Filho e o Espírito.
3. O Pai gerou o Filho.
A geração do Filho não implica criação; Ele sempre existiu com o Pai, com a mesma essência: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Significa que o Deus Pai não recebeu vida de ninguém, Ele é autoexistente. O Filho gerado pelo Pai também é autoexistente. Implica dizer que o Filho não foi criado, mas eternamente gerado. O Filho, assim como o Pai, possui vida em si mesmo, isto é, compartilha da mesma natureza divina (Jo 10.30).
A geração do Filho não significa criação, mas relacionamento eterno dentro da Trindade. Esse ponto é essencial, pois muitos erros doutrinários surgiram ao confundir geração com início de existência.
A Bíblia é clara ao ensinar que o Filho sempre existiu com o Pai e compartilha plenamente da mesma essência divina.
Jesus declara: “Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo” (Jo 5.26). Esse versículo revela que o Pai é autoexistente, ou seja, Ele não depende de ninguém para existir. Ele possui vida em si mesmo desde toda a eternidade. Ao mesmo tempo, o texto afirma que o Filho também possui vida em si mesmo. Isso não indica inferioridade, mas igualdade de natureza. O Pai comunica ao Filho a mesma vida divina, eterna e independente.
Quando a Bíblia fala que o Filho foi “gerado”, ela não está descrevendo um ato ocorrido no tempo, como acontece na geração humana. Trata-se de uma geração eterna, fora das limitações do tempo e da matéria. O Filho não começou a existir; Ele procede eternamente do Pai, sem jamais ter sido criado. Por isso, João afirma que “no princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus” (Jo 1.1). O Verbo não foi feito; Ele já era.
Essa verdade é reforçada quando Jesus declara: “Eu e o Pai somos um” (Jo 10.30). Essa unidade não é apenas de propósito ou de vontade, mas de essência.
O Filho não é um deus menor, nem uma criatura exaltada. Ele é verdadeiro Deus, da mesma substância do Pai, digno da mesma honra e adoração (Jo 5.23; Cl 2.9).
O autor de Hebreus confirma que o Filho é “o resplendor da glória e a expressa imagem da sua pessoa” (Hb 1.3). Isso significa que tudo o que o Pai é em sua natureza divina se manifesta perfeitamente no Filho. Portanto, ao olharmos para o Filho, contemplamos o próprio Deus revelado (Jo 14.9).
4. O Pai nos concede o Espírito.
O Espírito Santo também tem sua origem no Pai, mas de modo distinto. Ele procede do Pai (Jo 15.26) e é enviado pelo Filho (João 16.7). Saber que o Espírito Santo procede do Pai e do Filho é muito mais do que um detalhe teológico; é uma fonte poderosa de segurança para nossa vida cristã. O Espírito Santo é o próprio Deus (At 5.3,4), enviado para estar conosco para sempre (Jo 14.16,17). Ele nos aproxima do Pai (Ef 2.18), testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16) e nos guia em toda a verdade (Jo 16.13).
O Espírito Santo não é uma força impessoal, nem uma simples influência divina, mas uma Pessoa divina, plenamente Deus, que atua em perfeita harmonia com o Pai e com o Filho.
Jesus ensinou claramente que o Espírito Santo procede do Pai: “Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim” (Jo 15.26). Esse texto revela a origem eterna do Espírito no seio da Trindade. Ao mesmo tempo, Jesus afirma que o Espírito é enviado pelo Filho: “Convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se eu for, eu vo-lo enviarei” (Jo 16.7). Isso mostra que o Pai e o Filho atuam conjuntamente na missão do Espírito.
Essa verdade não é apenas um conceito teológico, mas uma fonte profunda de segurança espiritual. O Espírito Santo que habita no crente não é inferior nem temporário; Ele é o próprio Deus presente em nós. Em Atos 5.3,4, Pedro afirma que mentir ao Espírito Santo é mentir a Deus, confirmando sua plena divindade. Portanto, quando o Espírito habita em nós, o próprio Deus passa a fazer morada em nosso interior.
Jesus prometeu que o Espírito Santo estaria conosco para sempre: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre” (Jo 14.16).
Essa permanência garante que o crente nunca está abandonado. O Espírito não vem apenas para momentos específicos, mas para uma habitação contínua e transformadora (1Co 6.19).
Além disso, o Espírito Santo tem um papel vital em nossa relação com o Pai. É por meio d’Ele que temos acesso a Deus: “Porque por ele ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito” (Ef 2.18). O Espírito também testemunha ao nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16), fortalecendo nossa identidade espiritual e removendo a dúvida quanto à nossa filiação.
Por fim, o Espírito Santo é aquele que nos guia em toda a verdade (Jo 16.13). Ele ilumina as Escrituras, convence do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8) e nos conduz a uma vida que glorifica a Cristo. Assim, ao conceder o Espírito, o Pai não apenas nos salva, mas nos acompanha, nos ensina e nos sustenta até o fim. Receber o Espírito Santo é a prova viva de que pertencemos ao Pai e participamos da vida da Trindade.
II. RECONHECENDO A PATERNIDADE DO PAI
1. Confessar a Cristo como Filho.
A confissão de que Jesus é o Filho de Deus é um ato central na fé cristã: “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus” (1Jo 4.15). Reconhecer a filiação divina de Cristo é mais do que uma afirmação privada. É uma declaração pública de fé e sinaliza que Deus habita no coração do crente (Rm 10.9,10). Essa capacidade não nasce da carne, nem da persuasão humana, mas da ação sobrenatural do Espírito Santo (1Co 12.3). Reconhecer Jesus como o Filho de Deus é a única forma legítima de acesso ao Pai (Jo 14.6). Negar o Filho é, por consequência, negar o acesso ao Pai (1Jo 2.23). Que cada crente possa, com o coração cheio de fé e gratidão, proclamar com ousadia: “Senhor meu, e Deus meu!” (Jo 20.28).
Confessar que Jesus é o Filho de Deus , não se trata apenas de reconhece-lo como um grande mestre, profeta ou exemplo moral, mas de afirmar, com plena convicção, que Ele é o Filho eterno de Deus, da mesma natureza do Pai.
O apóstolo João declara: “Qualquer que confessar que Jesus é o Filho de Deus, Deus está nele e ele em Deus” (1Jo 4.15). Essa confissão estabelece comunhão real entre Deus e o crente.
A Bíblia deixa claro que essa confissão não é apenas interior ou silenciosa. Ela envolve o coração e também a boca. Paulo ensina que “se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10.9). Portanto, reconhecer a filiação divina de Cristo é uma declaração pública de fé, que identifica o crente como pertencente a Deus e confirma que Deus habita nele pelo Espírito.
Essa confissão, porém, não nasce da capacidade humana. Ninguém reconhece Jesus como Filho de Deus apenas por esforço intelectual ou influência religiosa.
O apóstolo Paulo afirma que “ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo” (1Co 12.3). Isso significa que o Espírito atua no coração, ilumina o entendimento e conduz o pecador à verdade. A fé cristã é resultado da revelação divina, não da persuasão humana.
Confessar Jesus como Filho também define o único caminho de acesso ao Pai. O próprio Cristo declarou: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim” (Jo 14.6). Não há outro meio, outra ponte ou outra mediação possível. Quem aceita o Filho recebe o Pai; quem rejeita o Filho permanece separado de Deus. João é direto ao afirmar: “Qualquer que nega o Filho, também não tem o Pai” (1Jo 2.23).
2. A perfeição do amor do Pai.
O amor faz parte da natureza do Pai: “E nós conhecemos e cremos no amor que Deus nos tem. Deus é amor e quem está em amor está em Deus, e Deus, nele” (1Jo 4.16). O amor do Pai é sacrificial, demonstrado ao enviar Seu Filho (Jo 3.16). Esse amor nos adotou; fomos aceitos por Ele, com todos os direitos de filhos legítimos (1Jo 3.1). Esse amo é inquebrável; nenhum poder ou circunstância poderá nos separar desse amor (Rm 8.38,39). Esse amor é pessoal; não é apenas geral, mas é individual, voltado para cada filho que crê (Jo 16.27). Assim, o amor do Pai é a fonte da nossa nova vida; nossa salvação brota da abundância do Seu amor (Ef 2.4,5). Foi o amor do Pai que nos buscou, nos salvou e nos guarda até o fim. Aleluia!
O apóstolo João afirma com clareza: “Deus é amor” (1Jo 4.16). Isso significa que tudo o que Deus faz está em perfeita harmonia com esse atributo.
O amor do Pai não é instável, nem condicionado às ações humanas; ele é eterno, santo e perfeito.
Esse amor foi plenamente revelado no envio do Filho. Jesus declarou: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3.16). O amor do Pai não ficou apenas no campo das intenções, mas se manifestou em um ato concreto e sacrificial. Ao entregar o Filho, o Pai demonstrou que estava disposto a ir até as últimas consequências para resgatar o pecador. Esse amor não poupou o que tinha de mais precioso.
Além disso, o amor do Pai é um amor que adota e acolhe. João exclama com admiração: “Vede quão grande amor nos tem concedido o Pai, que fôssemos chamados filhos de Deus” (1Jo 3.1). A salvação não nos torna apenas perdoados, mas nos transforma em filhos legítimos, com acesso, herança e comunhão. Não somos tolerados por Deus; somos aceitos e recebidos em sua família.

A perfeição do amor do Pai também se revela em sua segurança absoluta. Paulo declara que nada “nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8.38,39).
Nenhuma força espiritual, nenhuma circunstância da vida, nenhuma falha humana é capaz de romper esse vínculo estabelecido pelo próprio Deus. O amor do Pai não é frágil, nem temporário; ele é inquebrável.
Esse amor, porém, não é genérico ou distante. Jesus afirmou que “o Pai mesmo vos ama” (Jo 16.27). Isso mostra que o amor de Deus é pessoal e individual. Ele conhece cada filho pelo nome, suas lutas, suas dores e suas necessidades. O Pai não ama a humanidade de forma abstrata; Ele ama pessoas reais, de maneira íntima e cuidadosa.
Por fim, o amor do Pai é a fonte da nossa nova vida. Paulo ensina que fomos salvos porque Deus é “rico em misericórdia” e nos amou “quando ainda estávamos mortos em pecados” (Ef 2.4,5). Nada em nós provocou esse amor; ele nasceu no próprio coração de Deus. Foi esse amor que nos buscou, nos salvou, nos adotou e nos guarda até o fim. Diante dessa verdade, só nos resta adorá-lo com gratidão e dizer: Aleluia!
3. As bênçãos da filiação divina.
As Escrituras afirmam que o amor de Deus, lança fora todo o temor, especialmente o medo do juízo: “Nisto é perfeito o amor para conosco, para que no Dia do Juízo tenhamos confiança” (1Jo 4.17). Essa confiança estabelece a segurança da nossa condição como filhos de Deus. O crente não é mais um escravo ameaçado pelo castigo eterno, mas um filho livre, amado e aceito em Cristo (Rm 8.15). Isso não significa que o crente não possa perder a salvação (Ez 18.24; 1Co 10.12). Mas sim, que o Espírito Santo, habitando em nós, testemunha a nossa filiação, extinguindo o medo da condenação (Ef 1.13,14). O verdadeiro amor, aperfeiçoado em nós pelo Espírito, remove o medo, pois “no amor, não há temor; antes, o perfeito amor lança fora o temor” (1Jo 4.18).
III. A EXPERIÊNCIA DO AMOR DO PAI
1. O amor é aperfeiçoado no crente.
O aperfeiçoamento do amor em nós é obra do Espírito. Guardar a Palavra é o meio pelo qual o amor divino é amadurecido: “Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado; nisto conhecemos que estamos nele” (1Jo 2.5). Essa obediência prática à Palavra é a evidência externa de um amor interno e verdadeiro por Deus (Jo 14.21). Não há amor genuíno a Deus, sem compromisso concreto com a sua vontade revelada (1Jo 5.3). A cada ato de obediência, mesmo nas pequenas coisas, o amor de Deus é fortalecido em nós (Lc 16.10). Devemos viver de maneira que nossa prática aprofunde a realidade do amor em nosso coração (Tg 1.22). Portanto, refletir Deus no mundo é estar sendo aperfeiçoado no amor (Mt 22.37-40).
Esse amor aperfeiçoado no crente não é resultado do esforço humano isolado, mas obra contínua do Espírito Santo na vida daquele que anda em comunhão com Deus.
O amor divino é derramado em nossos corações no momento da salvação (Rm 5.5), porém ele precisa ser amadurecido e desenvolvido ao longo da caminhada cristã.
O apóstolo João afirma: “Mas qualquer que guarda a sua palavra, o amor de Deus está nele verdadeiramente aperfeiçoado” (1Jo 2.5). Esse texto mostra que o crescimento do amor está diretamente ligado à obediência à Palavra de Deus. Não se trata apenas de conhecer a Bíblia, mas de viver aquilo que ela ensina. Guardar a Palavra significa praticá-la, submetendo a vida à vontade revelada do Senhor.
Jesus confirmou essa verdade ao dizer: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é o que me ama” (Jo 14.21). Assim, a obediência não é um peso, mas a expressão visível de um amor verdadeiro. Onde há amor genuíno por Deus, há desejo sincero de agradá-lo. Por isso, João afirma que “este é o amor de Deus: que guardemos os seus mandamentos” (1Jo 5.3).
Esse aperfeiçoamento acontece de forma progressiva. A cada escolha correta, a cada atitude alinhada com a Palavra, o amor de Deus se fortalece em nós.
Jesus ensinou que a fidelidade nas pequenas coisas revela maturidade espiritual (Lc 16.10). Pequenos atos de obediência diária contribuem para o crescimento do amor e da comunhão com Deus.
Tiago também exorta os crentes a não serem apenas ouvintes da Palavra, mas praticantes (Tg 1.22). Quando a prática cristã acompanha a fé professada, o amor deixa de ser apenas um conceito e se torna uma realidade viva no coração e no comportamento do crente. Assim, a vida cristã passa a refletir, de maneira concreta, o caráter de Deus.
2. O amor é a marca dos filhos de Deus.
O amor distingue os verdadeiros filhos de Deus. O mundo conhece a Deus por meio da manifestação de amor dos seus filhos: “Ninguém jamais viu a Deus; se nós amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor” (1Jo 4.12). Deus é invisível, mas seu amor se torna visível à humanidade quando os cristãos vivem em amor mútuo (Jo 13.34,35). Quem ama de fato, revela que conhece a Deus. Logo, o amor torna real a presença de Deus àqueles que ainda não O conhecem (1Jo 3.10; 4.8).
Quando afirmamos que o amor é a marca dos filhos de Deus, estamos destacando um critério espiritual claro e inconfundível estabelecido pelas Escrituras.
A filiação divina não se comprova apenas por palavras, títulos religiosos ou participação em atividades da igreja, mas pela manifestação prática do amor que reflete o caráter do Pai.
O apóstolo João declara: “Ninguém jamais viu a Deus; se nós amamos uns aos outros, Deus está em nós, e em nós é perfeito o seu amor” (1Jo 4.12). Deus é invisível aos olhos humanos, porém sua presença se torna perceptível quando o amor divino se expressa na vida dos seus filhos. Onde há amor verdadeiro, ali Deus se manifesta, pois esse amor não é humano em sua origem, mas procede do próprio Deus.
Jesus confirmou essa verdade ao estabelecer o amor como o principal sinal de identificação dos seus discípulos: “Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei” (Jo 13.34). Em seguida, Ele afirmou que seria por esse amor que todos reconheceriam aqueles que pertencem a Ele (Jo 13.35). Assim, o amor cristão não é opcional, mas essencial, e deve ter como padrão o próprio amor de Cristo, que é sacrificial, perseverante e sincero.
Amar, segundo a perspectiva bíblica, vai além de sentimentos. Envolve atitudes concretas de cuidado, perdão, paciência e serviço (Rm 12.9,10).
Esse amor vivido no cotidiano revela que o crente realmente conhece a Deus. João é enfático ao afirmar: “Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor” (1Jo 4.8). Portanto, a ausência de amor denuncia uma fé apenas aparente, sem comunhão real com o Pai.
Além disso, o amor distingue claramente os filhos de Deus dos que não pertencem a Ele: “Nisto são manifestos os filhos de Deus e os filhos do diabo” (1Jo 3.10). O amor se torna, assim, uma evidência espiritual visível, capaz de testemunhar ao mundo a realidade de Deus. Quando os filhos de Deus vivem em amor mútuo, a presença divina se torna real àqueles que ainda não O conhecem, conduzindo-os ao conhecimento do Pai por meio do testemunho vivo da Igreja.
3. Fomos amados primeiro.
A essência da vida cristã está fundamentada no fato de que Deus nos amou: “Nós o amamos porque Ele nos amou primeiro.” (1Jo 4.19). Indica que a salvação, a fé e a nossa capacidade de amar são respostas à iniciativa incondicional do amor divino (1Jo 4.10). Em vista disso, fomos amados antes de qualquer mérito, antes de qualquer movimento pessoal em direção a Deus (Ef 2.4,5). Fomos amados no pior estado possível — em pecado — e recebidos como filhos em Jesus (Rm 5.8; Ef 1.5). Esta verdade sinaliza que somente pelo Espírito conseguimos amar a Deus, ao próximo e ao inimigo (Rm 5.5). Antes da nossa redenção, houve uma cruz sangrenta preparada por amor (Jo 15.13). Desse modo, espera-se que a postura cristã seja uma resposta agradecida a esse amor imerecido (2Co 5.14,15).
CONCLUSÃO
A paternidade de Deus é revelada de forma plena na ação conjunta da Trindade. O Pai envia o Filho, concede o Espírito e estabelece conosco uma relação sólida e paterna. Confessamos a Cristo, amamos porque fomos amados primeiro, e somos conduzidos pelo Espírito a viver em obediência e comunhão. A nossa identidade como filhos de Deus é firmada em sua iniciativa soberana e amorosa, garantindo-nos plena confiança para o dia da eternidade, e ajudando-nos a refletir o amor do Pai ao mundo.
