Conhecer a Palavra

Lição 3: A Natureza do Deus que salva

TEXTO PRINCIPAL

“Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.” (Sl 34.8).

RESUMO DA LIÇÃO

A obra da salvação, que é revelada plenamente em Jesus Cristo, expressa a bondade, o amor e a santidade de Deus.

TEXTO BÍBLICO

Salmos 105.5,6; 34.8,9; Lucas 18.18,19; Romanos 5.6-8.

Salmos 105

5 — Lembrai-vos das maravilhas que fez, dos seus prodígios e dos juízos da sua boca,

6 — vós, descendência de Abraão, seu servo, vós, filhos de Jacó, seus escolhidos.

Salmos 34

8 — Provai e vede que o Senhor é bom; bem-aventurado o homem que nele confia.

9 — Temei ao Senhor, vós os seus santos, pois não têm falta alguma aqueles que o temem.

Lucas 18

18 — E perguntou-lhe um certo príncipe, dizendo: Bom Mestre, que hei de fazer para herdar a vida eterna?

19 — Jesus lhe disse: Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus.

Romanos 5

6 — Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios.

7 — Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer.

8 — Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.

INTRODUÇÃO

Nesta lição, vamos estudar a natureza do Deus que se revela como Salvador – um Deus que redime, é cheio de bondade e que, por meio de Jesus, se mostra como o Deus que salva. Também vamos refletir sobre a natureza amorosa dEle, pois é nesse amor que está fundamentada toda a história da salvação. E, por fim, vamos aprender sobre a santidade do Deus Salvador. Nosso propósito aqui é mostrar que, por meio de sua bondade, amor e santidade, o Deus revelado na Bíblia deseja se relacionar conosco, pecadores, que fomos alcançados por seu maravilhoso amor.

I. O DEUS QUE SE REVELA COMO SALVADOR

1. A história da salvação mostra Deus como o Redentor.

Desde Gênesis, Deus se revela como o Redentor que toma a iniciativa de colocar em prática um plano de salvação para derrotar o mal e restaurar o relacionamento do ser humano com Ele (Gn 3.15). Nesse sentido, o Salmo 105 nos convida a contemplar essa característica redentora de Deus por meio de suas maravilhas, prodígios e juízos em favor do seu povo, Israel (vv.5,6).

Esse é o Deus que redime pecadores. É maravilhoso saber que, mesmo nós não sendo merecedores, o Eterno Redentor se importa conosco. Por isso, Ele tomou a iniciativa de agir com bondade e misericórdia para com o seu povo. É justamente essa natureza misericordiosa e bondosa de Deus que revela o seu amor por nós. A bondade redentora de Deus, declarada desde o início, também é percebida em sua fidelidade, como vemos no Salmo 34.

Ao analisarmos a história bíblica como um todo, percebemos que ela não consiste apenas em uma sequência de acontecimentos, mas revela progressivamente um Deus que redime, restaura e age em favor do ser humano caído. Desde o princípio, Deus se apresenta como Redentor, não como alguém distante, mas como Aquele que toma a iniciativa de salvar.

Logo após a queda do homem, em Gênesis 3, Deus poderia ter executado o juízo final. No entanto, em vez disso, Ele revela esperança.

Em Gênesis 3.15, encontramos o que muitos chamam de protoevangelho, a primeira promessa de redenção. Ali, Deus anuncia que a semente da mulher pisaria a cabeça da serpente. Isso demonstra que a redenção não foi um plano emergencial, mas uma ação soberana e deliberada de Deus para derrotar o mal e restaurar o relacionamento com a humanidade.

Ao avançarmos na história bíblica, vemos essa redenção sendo manifestada de forma concreta na história de Israel. O Salmo 105 relembra os feitos redentores do Senhor, destacando suas maravilhas, prodígios e juízos em favor do seu povo. O salmista convida o povo a lembrar-se dessas obras porque elas revelam quem Deus é. Ele não apenas promete, mas cumpre. Ele não abandona o seu povo, mas age no tempo certo.

Os versículos 5 e 6 enfatizam que essas ações não foram fruto do mérito de Israel, mas da fidelidade de Deus à sua aliança.

Isso é essencial para a compreensão da redenção: Deus redime não porque somos dignos, mas porque Ele é misericordioso. Essa verdade é reafirmada em Êxodo 6.6, quando o Senhor declara:

“Eu sou o SENHOR, e vos tirarei de debaixo das cargas dos egípcios… e vos resgatarei com braço estendido”.

Esse padrão se repete ao longo da Escritura. Deus age primeiro,liberta e Deus salva.

O Salmo 34 amplia essa compreensão ao mostrar que a redenção de Deus também se manifesta no cuidado diário e na fidelidade constante. O salmista afirma que o Senhor está perto dos quebrantados de coração e livra os justos de todas as suas angústias (Sl 34.18,19). Isso revela que a redenção não é apenas um ato pontual, mas um relacionamento contínuo entre Deus e o seu povo.

Essa história redentora alcança seu ápice em Cristo. O que foi prometido em Gênesis, simbolizado no Êxodo e celebrado nos Salmos, se cumpre plenamente em Jesus. Como afirma Gálatas 4.4,5:

“Vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho… para remir os que estavam debaixo da lei”.

Portanto, ao falarmos sobre esse tema, fica claro que a Bíblia inteira aponta para um Deus que salva. Ele é o Redentor ontem, hoje e eternamente. A história da salvação nos mostra que o amor de Deus se revela em ação, sua misericórdia se manifesta em livramento, e sua fidelidade garante que nenhum de seus propósitos falhará.

2. Deus é bom e digno de confiança.

O Salmo 34 nos convida a experimentar a bondade divina e, como resultado, a felicidade alcança aquele que confia nEle (v.8). Quando provamos da sua bondade e nos entregamos a Ele com plena confiança, o temor do Senhor — uma atitude que caracteriza a verdadeira sabedoria espiritual (Pv 1.7) — passa a fazer parte da nossa vida. Assim, passamos a conhecer, de fato, o Deus da Bíblia: um Deus bom, confiável e digno de temor.

É exatamente dessa maneira que o Novo Testamento apresenta a salvação, como resultado da bondade e das misericórdias divinas: “Mas, quando apareceu a benignidade e o amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens” (Tt 3.4), fomos alcançados por sua obra salvadora — não por méritos ou esforços humanos, mas por sua iniciativa amorosa e cheia de graça (Tt 3.5). Como é clara a natureza generosa, bondosa e misericordiosa do nosso Deus!

O Salmo 34 apresenta Deus como alguém que não apenas declara a sua bondade, mas convida o seu povo a experimentá-la: “Provai e vede que o SENHOR é bom; bem-aventurado o homem que nele confia” (Sl 34.8).

Esse convite mostra que a confiança em Deus nasce do relacionamento com Ele. À medida que o crente experimenta o cuidado, o livramento e a fidelidade do Senhor, sua fé é fortalecida e sua vida passa a descansar na certeza de que Deus é digno de total confiança.

Essa confiança está diretamente ligada ao temor do Senhor, que a Bíblia apresenta como o fundamento da verdadeira sabedoria espiritual. Provérbios 1.7 afirma que “o temor do SENHOR é o princípio da ciência”. Temer a Deus não significa medo paralisante, mas reverência, respeito e submissão à sua vontade. Quem reconhece a bondade de Deus aprende a confiar nEle e, consequentemente, a viver em obediência.

Ao longo da Escritura, Deus demonstra que sua bondade não depende das circunstâncias humanas nem do merecimento do homem.

Mesmo em meio às aflições, o Senhor permanece fiel. O próprio Salmo 34 declara que “muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livra de todas” (Sl 34.19). Isso reforça que a confiança em Deus não se baseia na ausência de problemas, mas na certeza da sua presença e do seu cuidado constante.

No Novo Testamento, essa mesma verdade é reafirmada na doutrina da salvação. O apóstolo Paulo ensina que a salvação é fruto da bondade e da misericórdia de Deus, não de esforços humanos. Em Tito 3.4, lemos: “Mas, quando apareceu a benignidade e o amor de Deus, nosso Salvador, para com os homens”. A seguir, o texto deixa claro que essa obra salvadora não vem por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a misericórdia divina (Tt 3.5).

Portanto, Deus é bom porque age com graça, paciência e amor; e é digno de confiança porque cumpre tudo o que promete. Conhecer esse Deus transforma a maneira como o crente vive, pois gera segurança, fé perseverante e uma entrega sincera à sua vontade. A bondade de Deus não apenas nos salva, mas também sustenta nossa caminhada diária com Ele.

3. Jesus revela a natureza salvadora de Deus.

A Palavra de Deus nos mostra que, em Jesus Cristo, habita corporalmente toda a plenitude da divindade (Cl 2.9). Não por acaso, quando o jovem rico chamou nosso Senhor de “Bom Mestre”, Jesus afirmou que somente Deus é bom (Lc 18.18,19). Com esta declaração, o Filho deu testemunho da bondade do Pai. Aqui, contemplamos o mistério da Santíssima Trindade no testemunho do Filho a respeito do Pai.

Em João 14, Jesus declarou: “Quem me vê a mim vê o Pai; […] Não crês tu que eu estou no Pai e que o Pai está em mim?” (Jo 14.9,10). Jesus, sendo a expressão plena da divindade, revela tanto a bondade quanto a natureza salvadora de Deus. É por meio dEle que a obra da salvação se manifesta, revelando o Deus da Bíblia como o Salvador da humanidade caída.

Saber que Deus se revela como Salvador nas Escrituras nos impulsiona a buscá-Lo de forma pessoal e verdadeira, não de maneira meramente religiosa ou ritualista. O Deus que salva é o mesmo que deseja ser conhecido por cada um de nós por meio de um relacionamento autêntico.

Na história da salvação, Jesus Cristo é a revelação máxima de quem Deus é e de como Ele salva. A Escritura afirma de forma clara que “nEle habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Cl 2.9).

Isso significa que Jesus não é apenas um mensageiro de Deus ou um profeta especial, mas o próprio Deus que se fez homem para revelar o Pai e executar o plano da redenção. Ao olharmos para Cristo, estamos contemplando o próprio caráter de Deus em ação.

Esse ponto fica evidente no diálogo de Jesus com o jovem rico. Quando o homem o chama de “Bom Mestre”, Jesus responde: “Por que me chamas bom? Ninguém há bom, senão um, que é Deus” (Lc 18.19). Longe de negar sua divindade, Jesus conduz aquele homem a refletir sobre quem Ele realmente é. Ao afirmar que somente Deus é bom, o Senhor revela que a verdadeira bondade tem origem divina. Assim, ao reconhecer a bondade em Jesus, somos levados a reconhecer que Ele participa plenamente da natureza do Pai.

Essa verdade é aprofundada nas palavras de Jesus em João 14: “Quem me vê a mim vê o Pai” (Jo 14.9). Cristo é a imagem perfeita do Deus invisível (Cl 1.15).

Suas palavras, atitudes, compaixão pelos pecadores, autoridade sobre o pecado e sobre a morte revelam a natureza salvadora de Deus. Não estamos lidando com um Deus distante ou indiferente, mas com um Deus que entra na história humana para salvar. Como afirma João: “Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lc 19.10).

A obra salvadora de Deus se manifesta plenamente em Cristo, especialmente na cruz. Ali vemos, ao mesmo tempo, a justiça e o amor de Deus sendo revelados. O Pai não ignorou o pecado, mas o julgou em seu próprio Filho; e, ao mesmo tempo, demonstrou seu amor oferecendo salvação aos pecadores (Rm 5.8; 2Co 5.19). Jesus é, portanto, a prova viva de que Deus é Salvador por natureza.

Essa revelação tem implicações diretas para a vida cristã. Se Deus se revelou como Salvador em Cristo, então nossa relação com Ele não pode ser apenas externa, ritual ou religiosa.

O Deus que se fez conhecido em Jesus deseja ser conhecido de forma pessoal. O próprio Senhor afirmou: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).

Portanto, Jesus não apenas fala sobre Deus — Ele mostra quem Deus é. Nele vemos a bondade, a graça, a verdade e, sobretudo, o coração salvador do Pai. Conhecer a Cristo é conhecer o Deus que salva, restaura e chama o ser humano para um relacionamento vivo e transformador.

II. A SALVAÇÃO COMO PROVA DO AMOR DE DEUS

1. A salvação como ato de amor.

Romanos 5 descreve a morte de Cristo, o Justo, no lugar dos ímpios (Rm 5.6) e revela o ato mais amoroso de Deus: “Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8).

Deus entregou seu Filho único por amor. Ele não o entregou depois que fomos justificados, regenerados e santificados; pelo contrário, Ele o entregou quando ainda estávamos “mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1). Ora, se isso não é amor, então o que seria? Esse é o amor que tudo sofre, tudo crê, tudo espera e tudo suporta — um amor sofredor, bondoso, verdadeiro (1Co 13.4-7).

Ao estudarmos a salvação à luz das Escrituras, percebemos que ela nasce, antes de tudo, do amor de Deus, e não de qualquer mérito humano.

Romanos 5 deixa isso muito claro ao afirmar que Cristo morreu “sendo nós ainda fracos” e “ímpios” (Rm 5.6). Ou seja, Deus não aguardou uma melhora moral da humanidade para agir. Pelo contrário, Ele tomou a iniciativa quando o ser humano estava completamente incapaz de se salvar.

O versículo central desse ensino é Romanos 5.8: “Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores”. Aqui, o apóstolo Paulo apresenta a cruz como a prova objetiva do amor divino. Não se trata apenas de palavras ou sentimentos, mas de um amor que age, que se entrega e que paga um preço altíssimo. O Pai entregou o seu Filho Unigênito (Jo 3.16), revelando que a salvação é resultado direto de sua graça e misericórdia.

Esse amor se torna ainda mais impressionante quando consideramos a condição espiritual do ser humano. A Bíblia afirma que estávamos “mortos em ofensas e pecados” (Ef 2.1).

Um morto não reage, não responde, não busca a Deus. Ainda assim, Deus nos amou. Como reforça Paulo: “Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou” (Ef 2.4), nos deu vida juntamente com Cristo. Portanto, a salvação não começa com a decisão humana, mas com a iniciativa soberana de Deus.

Além disso, o amor revelado na salvação é um amor sacrificial. Cristo, o Justo, morreu pelos injustos (1Pe 3.18). Ele não morreu como mártir ou exemplo apenas, mas como substituto, tomando sobre si a culpa que era nossa. Isso demonstra que o amor de Deus não ignora o pecado, mas resolve o problema do pecado por meio do sacrifício do Filho.

Quando Paulo descreve o amor em 1 Coríntios 13.4-7, vemos características que se cumprem perfeitamente na obra da salvação.

O amor de Deus é paciente, pois suportou a rebeldia humana; é benigno, pois ofereceu perdão; tudo sofre e tudo suporta, pois a cruz foi o maior sofrimento já enfrentado por amor. Como afirma Isaías, “o castigo que nos traz a paz estava sobre ele” (Is 53.5).

Esse ensino é fundamental , pois nos ajuda a compreender que a salvação não é uma recompensa por boas obras, mas um dom gracioso (Ef 2.8,9). Ao mesmo tempo, revela a profundidade do amor de Deus, que chama o pecador ao arrependimento e à fé. Quem entende que foi amado quando não merecia, passa a viver em gratidão, obediência e temor ao Senhor (1Jo 4.9,10).

Assim, a salvação como ato de amor nos mostra um Deus que não desiste do ser humano, mas que age em favor dele. A cruz é o maior testemunho de que o amor de Deus é real, profundo e transformador — um amor que salva.

2. O amor de Deus se manifestou na cruz.

A doutrina do amor de Deus é o fundamento da obra da salvação. Como pentecostais, afirmamos com convicção: o que motivou o envio de Jesus Cristo à cruz foi o incomparável amor de Deus. A Bíblia declara: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). Esse amor é tão grande e profundo que abrange todas as pessoas — todas mesmo!

O apóstolo Paulo reforça isso ao dizer que Deus “quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade” (1Tm 2.4). O amor de Deus é acolhedor, misericordioso e universal. Ele não faz acepção de pessoas.

O apóstolo João, conhecido como o “apóstolo do amor”, explica isso ainda mais claramente: “Nisto está o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho para propiciação pelos nossos pecados” (1Jo 4.10). Aqui, duas verdades bíblicas precisam ser afirmadas com clareza: a) Deus amou todos os pecadores; b) Por esse amor, Ele enviou seu Filho como sacrifício no lugar dos pecadores. Essa é a essência da morte vicária de Jesus — Ele morreu em nosso lugar. Isso não foi um ato de injustiça, mas de misericórdia. É um mistério glorioso da salvação: no Calvário, o amor divino se encontrou com a morte, para que os pecadores pudessem viver.

Ao abordar este tema , é fundamental destacar que a cruz é a maior e mais clara revelação do amor de Deus. A salvação cristã não começa no esforço humano, mas na iniciativa amorosa do Pai.

Como bem afirma João 3.16, Deus não apenas sentiu amor pelo mundo; Ele amou de tal maneira que deu. O verbo “deu” aponta para entrega, sacrifício e renúncia. O Pai entregou aquilo que tinha de mais precioso: o seu Filho Unigênito.

Esse amor não se limita, não seleciona pessoas nem se restringe a um grupo específico. A expressão “o mundo” abrange toda a humanidade caída. As Escrituras declaram que Deus não faz acepção de pessoas (At 10.34) e deseja alcançar todos com a salvação (1Tm 2.4). Isso não significa que todos se salvam automaticamente, mas que Deus ofereceu a salvação a todos, tornando-a eficaz na vida daqueles que creem (Jo 1.12).

O apóstolo João aprofunda essa verdade ao declarar que o amor não partiu do ser humano, mas de Deus: “não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou” (1Jo 4.10). Aqui fica evidente que a cruz não foi uma resposta à bondade humana, mas à miséria espiritual do homem. Deus amou pecadores, não justos; amou inimigos, não amigos (Rm 5.10).

Além disso, a cruz revela que esse amor é sacrificial e substitutivo. Jesus foi enviado como “propiciação pelos nossos pecados”, isto é, como aquele que satisfez plenamente a justiça divina.

O pecado exige punição, e essa punição recaiu sobre Cristo. Como declara Isaías, “o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos” (Is 53.6). No Calvário, a justiça e o amor de Deus se encontraram: o pecado foi punido, e o pecador recebeu perdão.

Esse sacrifício não foi um ato de crueldade do Pai contra o Filho, mas uma ação voluntária do próprio Cristo, em perfeita harmonia com a vontade do Pai. Jesus afirmou: “Ninguém tira a minha vida, mas eu de mim mesmo a dou” (Jo 10.18). Portanto, a cruz é resultado do amor do Deus Triúno, operando de forma unida para a redenção da humanidade.

Por fim, a manifestação do amor de Deus na cruz nos chama a responder. A salvação não se limita a uma verdade conhecida, mas se apresenta como uma graça que recebemos pela fé (Rm 10.9,10). Quem contempla a cruz reconhece que Deus o amou quando não merecia e, por isso, aceita o convite para viver em arrependimento, gratidão e obediência. A cruz nos lembra que o amor de Deus não permanece no campo teórico, mas se revela de forma prática; não se mostra distante, mas pessoal; não se apresenta fraco, mas poderoso para salvar (1Co 1.18).

3. Respondendo ao amor de Deus com gratidão.

Para o cristão, expressar gratidão pela salvação é mais do que palavras bonitas ou momentos emocionantes na igreja — é viver com propósito, identidade e sentido em Cristo todos os dias. É reconhecer que Deus nos amou primeiro, mesmo quando não merecíamos (Rm 5.8), e responder a esse amor com escolhas que honrem o sacrifício de Jesus. A gratidão verdadeira se mostra no comportamento: nas decisões que tomamos, nas amizades que cultivamos, na maneira como lidamos com as tentações e na disposição em servir a Deus e ao próximo. Como escreveu o apóstolo João: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). O amor de Deus não apenas nos alcança — ele nos transforma. Nossa rotina, nossas redes sociais, nossas atitudes, tudo em nós tem refletido essa gratidão?

Ao tratar deste tópico, é importante deixar claro que a gratidão cristã é uma resposta prática ao amor recebido, e não apenas um sentimento passageiro.

A salvação nos alcançou quando não merecíamos, como afirma Romanos 5.8, e essa verdade precisa moldar toda a nossa maneira de viver. Quem compreende a profundidade da graça não permanece o mesmo.

A Bíblia ensina que o amor de Deus sempre vem primeiro. João declara: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). Isso significa que nossa obediência, nosso serviço e nossa devoção não são tentativas de conquistar o favor divino, mas respostas naturais de um coração alcançado pela graça. A gratidão nasce quando reconhecemos o preço pago na cruz e entendemos que fomos comprados por alto valor (1Co 6.20).

Essa gratidão se expressa, primeiramente, por meio de uma vida consagrada. O apóstolo Paulo exorta: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12.1). Note que o fundamento da entrega não é o medo, mas “as misericórdias de Deus”. Quem é grato deseja viver de modo que agrade ao Senhor.

Além disso, a gratidão se manifesta em obediência diária. Jesus afirmou: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (Jo 14.15).

Amar a Deus envolve escolhas práticas: fugir do pecado, resistir às tentações, buscar uma vida santa e cultivar comunhão com o Senhor. A verdadeira gratidão não negocia princípios bíblicos, mesmo quando isso exige renúncia (Tt 2.11,12).

Outro aspecto essencial é que a gratidão se reflete no relacionamento com o próximo. Quem foi perdoado aprende a perdoar; quem recebeu graça aprende a agir com graça. Paulo escreve: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4.32). O amor recebido de Deus se torna visível no modo como tratamos as pessoas.

Em tempos atuais, essa gratidão também precisa ser percebida na vida pública e cotidiana, inclusive nas atitudes fora do ambiente da igreja. Jesus ensinou que somos luz do mundo (Mt 5.14-16). Portanto, nossas palavras, comportamentos e até aquilo que compartilhamos precisam refletir que pertencemos a Cristo (Cl 3.17). A fé genuína alcança a rotina, o trabalho, a família e as escolhas pessoais.

Por fim, responder ao amor de Deus com gratidão é viver com a consciência de que não somos mais nossos, mas do Senhor.

Como afirma Paulo: “Porque para mim o viver é Cristo” (Fp 1.21). A gratidão cristã não é apenas um momento de emoção, mas um estilo de vida contínuo, marcado por obediência, santidade, serviço e amor. Quem foi alcançado pelo amor de Deus vive para glorificar a Deus.

III. A SANTIDADE DO DEUS QUE SALVA

1. Deus é absolutamente santo.

A Bíblia revela que uma das características fundamentais de Deus é a sua santidade. No livro do profeta Isaías, lemos a proclamação dos anjos: “E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, Santo, Santo é o Senhor dos Exércitos: toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3). O apóstolo Pedro escreve em sua Primeira Epístola: “Mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver” (1Pe 1.15). Esse chamado à santidade está diretamente relacionado à própria natureza santa de Deus, como está escrito: “Porquanto está escrito: Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.16; cf. Lv 11.44). Portanto, o chamado de Deus à santidade não é apenas uma sugestão, mas algo que reflete quem Ele é. Ora, Deus é amor, mas também é absolutamente santo.

A salvação nos alcançou quando não merecíamos, como afirma Romanos 5.8, e essa verdade precisa moldar toda a nossa maneira de viver. Quem compreende a profundidade da graça não permanece o mesmo.

A Bíblia ensina que o amor de Deus sempre vem primeiro. João declara: “Nós o amamos porque ele nos amou primeiro” (1Jo 4.19). Isso significa que nossa obediência, nosso serviço e nossa devoção não são tentativas de conquistar o favor divino, mas respostas naturais de um coração alcançado pela graça. A gratidão nasce quando reconhecemos o preço pago na cruz e entendemos que fomos comprados por alto valor (1Co 6.20).

Essa gratidão se expressa, primeiramente, por meio de uma vida consagrada. O apóstolo Paulo exorta: “Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” (Rm 12.1). Note que o fundamento da entrega não é o medo, mas “as misericórdias de Deus”. Quem é grato deseja viver de modo que agrade ao Senhor.

Além disso, a gratidão se manifesta em obediência diária. Jesus afirmou: “Se me amais, guardai os meus mandamentos” (Jo 14.15).

Amar a Deus envolve escolhas práticas: fugir do pecado, resistir às tentações, buscar uma vida santa e cultivar comunhão com o Senhor. A verdadeira gratidão não negocia princípios bíblicos, mesmo quando isso exige renúncia (Tt 2.11,12).

Outro aspecto essencial é que a gratidão se reflete no relacionamento com o próximo. Quem foi perdoado aprende a perdoar; quem recebeu graça aprende a agir com graça. Paulo escreve: “Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo” (Ef 4.32). O amor recebido de Deus se torna visível no modo como tratamos as pessoas.

Em tempos atuais, essa gratidão também precisa ser percebida na vida pública e cotidiana, inclusive nas atitudes fora do ambiente da igreja. Jesus ensinou que somos luz do mundo (Mt 5.14-16). Portanto, nossas palavras, comportamentos e até aquilo que compartilhamos precisam refletir que pertencemos a Cristo (Cl 3.17). A fé genuína alcança a rotina, o trabalho, a família e as escolhas pessoais.

2. A salvação é um chamado à santidade.

A obra de salvação não inclui apenas o perdão dos pecados, mas um chamado à transformação completa da vida. É um chamado positivo à santidade da vida (Rm 6.22). A doutrina bíblica da salvação ensina que, ao sermos alcançados pela graça, experimentamos o que muitos estudiosos chamam de santidade posicional, ou seja, refere-se à condição de santos que o salvo recebe no momento em que a salvação é operada (1Co 1.2; Hb 10.10). Essa é uma realidade imediata e completa, vinda direta e exclusivamente de Deus.

Além dessa realidade, há outra denominada de “santidade progressiva”, que se refere ao processo contínuo de transformação interior operada pelo Espírito Santo ao longo da caminhada espiritual (2Co 3.18; Fp 2.12,13). Essa é uma realidade paulatina que exige uma cooperação do crente nesse desenvolvimento espiritual. Nesse sentido, é uma decisão do salvo escolher andar com Deus todos os dias, optando por obedecer à sua Palavra mesmo quando o mundo diz o contrário.

Quando Deus salva, Ele não apenas nos livra da condenação do pecado, mas também nos chama para viver de modo santo.

Por isso, Paulo afirma que o resultado da salvação é “o fruto para santificação” (Rm 6.22). A graça que salva é a mesma que transforma.

Em primeiro lugar, a Escritura ensina que Deus separa para si todo aquele que é salvo no momento da conversão. A Bíblia chama essa realidade de santidade posicional. Quando o pecador crê em Cristo, Deus o considera santo diante de si, não por mérito próprio, mas por causa da obra completa de Cristo. Paulo escreve à igreja de Corinto chamando-os de “santificados em Cristo Jesus, chamados santos” (1Co 1.2). O autor de Hebreus reforça essa verdade ao declarar que “somos santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez” (Hb 10.10). Trata-se de uma obra perfeita, definitiva e realizada exclusivamente por Deus.

Contudo, a Bíblia também ensina que essa posição espiritual deve se refletir na prática diária. É aqui que entra a santidade progressiva, que diz respeito ao crescimento espiritual contínuo do crente. Paulo afirma que somos transformados “de glória em glória” pelo Espírito do Senhor (2Co 3.18). Esse processo não acontece de forma automática, mas por meio da ação do Espírito Santo aliada à disposição do crente em obedecer à Palavra.

Nesse sentido, a santidade progressiva envolve responsabilidade espiritual. O apóstolo exorta: “Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor; porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar” (Fp 2.12,13).

Note que há uma cooperação: Deus opera interiormente, mas o crente responde com obediência, vigilância e compromisso. Não se trata de salvação pelas obras, mas de uma vida transformada como resultado da salvação (Ef 2.10).

A santidade também implica separação do pecado e conformidade com o caráter de Cristo. Pedro nos lembra: “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.15,16). Esse chamado alcança todas as áreas da vida: pensamentos, palavras, atitudes e relacionamentos. A santidade não é isolamento do mundo, mas uma vida distinta dentro dele, refletindo os valores do Reino de Deus (Rm 12.1,2).

Portanto, é importante destacar que a santidade não é um fardo, mas um privilégio. Fomos libertos do domínio do pecado para servir a Deus em novidade de vida (Rm 6.4). O Espírito Santo habita no crente justamente para capacitá-lo a viver de modo agradável ao Senhor (Gl 5.16). Assim, a salvação é, de fato, um chamado à santidade — não apenas uma mudança de destino eterno, mas uma transformação real e visível da vida, para a glória de Deus.

3. A cruz: o encontro da justiça e do amor de Deus e o caminho para a santidade.

A cruz de Cristo é o maior marco da história da salvação. Nela, a justiça de Deus e o seu amor infinito se encontram de forma perfeita, preparando e apontando o caminho da santidade. Deus é santo e não pode tolerar o pecado (Hc 1.13), mas também é amor, e deseja salvar o pecador (Jo 3.16). Na cruz, vemos que o pecado não foi ignorado, pelo contrário, ele foi julgado com todo o peso da justiça divina. Jesus, o Cordeiro sem mancha, tomou sobre si a culpa que era nossa (Is 53.5).

Ao mesmo tempo, esse sacrifício revela o quanto Deus nos ama, ao ponto de entregar seu Filho por nós. A cruz mostra que a salvação não é barata: ela custou o sangue de Cristo. Ali, Deus permanece justo ao punir o pecado e, ao mesmo tempo, é amoroso ao justificar o pecador que crê em Jesus (Rm 3.26). O madeiro é, portanto, o ponto onde a santidade de Deus exige justiça, e o amor de Deus oferece graça.

A Bíblia afirma que Deus é santo e que seus olhos são “tão puros que não podem ver o mal” (Hc 1.13). Isso significa que o pecado não pode ser simplesmente ignorado ou relativizado.

A justiça divina exige julgamento. Em Romanos 6.23, aprendemos que “o salário do pecado é a morte”. Portanto, se Deus deixasse o pecado sem punição, Ele deixaria de ser justo. Na cruz, essa justiça foi plenamente satisfeita, pois o pecado foi condenado na carne de Cristo (Rm 8.3).

Jesus é apresentado nas Escrituras como o Cordeiro perfeito, sem pecado e sem mancha (1Pe 1.18,19). Isaías profetizou que Ele seria traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades (Is 53.5,6). Na cruz, Cristo tomou o nosso lugar, carregando a culpa que era nossa. Essa verdade revela a seriedade do pecado e o custo real da nossa redenção.

Ao mesmo tempo, a cruz é a maior demonstração do amor de Deus. O Pai não poupou o seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós (Rm 8.32). João 3.16 deixa claro que esse sacrifício foi motivado pelo amor. A salvação não é barata; ela custou o sangue precioso de Cristo. Como afirma Pedro, fomos resgatados “não com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, mas com o precioso sangue de Cristo” (1Pe 1.18,19).

Em Romanos 3.26, Paulo ensina que, por meio da cruz, Deus se mostra “justo e justificador daquele que tem fé em Jesus”.

Aqui vemos o equilíbrio perfeito entre justiça e amor. O pecado foi punido, e o pecador que crê foi perdoado. Nenhum atributo divino foi comprometido; pelo contrário, todos foram glorificados.

Além disso, a cruz não apenas garante o perdão, mas aponta o caminho da santidade. Quem foi salvo pela cruz é chamado a viver segundo a cruz. Jesus declarou: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me” (Lc 9.23). Isso significa morrer para o pecado e viver para Deus (Rm 6.11). A cruz nos ensina que não podemos viver em santidade sem renúncia, obediência e submissão à vontade de Deus.

Por fim, a cruz é o ponto onde a santidade de Deus exige justiça e o amor de Deus oferece graça. Ela não apenas nos salva da condenação, mas nos chama a uma nova vida. Quem contempla a cruz com fé entende o preço da salvação e passa a desejar viver de modo santo, não por obrigação, mas por gratidão ao Deus que amou, perdoou e transformou.

CONCLUSÃO

A Bíblia revela que Deus é, ao mesmo tempo, amoroso e santo, Ele não apenas exige santidade, mas é a própria santidade. E, mesmo sendo santo, não nos rejeitou por causa do pecado. Pelo contrário, foi por amor que providenciou, em Cristo, o caminho de volta. O pecado afastou a humanidade do Deus Criador, mas a cruz abriu a porta do regresso. A santidade não é apenas um padrão moral, mas uma resposta de amor a um Deus que, sendo santo, decidiu nos amar até o fim. Ter uma vida em santidade é responder positivamente ao amor do Deus que salva.

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