Conhecer a Palavra

Lição 9: Espírito Santo – O Regenerador

Subsidio Lição 9 Espirito Santo o Regenerador
TEXTO ÁUREO

Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.(Jo 3.3).

VERDADE PRÁTICA

A regeneração é a transformação operada pelo Espírito Santo, pela qual o pecador se torna uma nova criatura.

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

João 3.1-8.

1 — E havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.

2 — Este foi ter de noite com Jesus e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és mestre vindo de Deus, porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.

3 — Jesus respondeu e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo não pode ver o Reino de Deus.

4 — Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Porventura, pode tornar a entrar no ventre de sua mãe e nascer?

5 — Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.

6 — O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

7 — Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.

8 — O vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

 

INTRODUÇÃO

O Novo Nascimento é uma obra indispensável à salvação. Jesus ensinou que para entrar no Reino é necessário nascer de novo. Não se trata de uma mera mudança exterior, mas de uma obra de transformação interior. Esta lição apresenta o Espírito Santo operando no plano trinitário da Salvação como o agente da Regeneração. Sua atuação revela o milagre divino que regenera a natureza humana decaída, concedendo nova vida em Cristo.

Palavra-Chave:

REGENERAÇÃO

I. REGENERAÇÃO: UMA OBRA TRINITÁRIA

1. A doutrina bíblica da Regeneração.

A expressão “nascer de novo” (Jo 3.3) é tradução do verbo grego gennēthē — “ser gerado” ou “nascer”, e do advérbio anōthen — “do alto”, “de cima”, “de novo”. No diálogo com Nicodemos, Jesus explica que o “nascer de novo” não é físico, mas espiritual (Jo 3.5) — uma segunda origem, não humana —, um renascimento a partir do alto, isto é, de Deus. Por isso, certas versões bíblicas traduzem como “nascer do alto”.

Nesse sentido, Paulo ensina que somos salvos “pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5b). Aqui “regeneração” (gr. palingenesia) significa “novo nascimento” e está intimamente ligado à conversão. Trata-se da renovação interior realizada pelo Espírito, ocasião em que a pessoa se torna uma nova criatura (2Co 5.17).

Quando Jesus declara que é necessário nascer de novo, Ele confronta diretamente a religiosidade meramente externa representada por Nicodemos.

Aquele mestre de Israel conhecia a Lei, praticava rituais e possuía posição de destaque, mas ainda carecia de uma mudança profunda no coração. Assim, o Senhor ensina que o novo nascimento não ocorre por descendência natural, esforço humano ou mérito religioso, mas por uma ação soberana de Deus na vida do homem.

Ao afirmar que é preciso nascer da água e do Espírito, Cristo aponta para uma purificação e para uma geração espiritual que somente o Espírito Santo pode realizar. O nascimento físico introduz o homem na vida terrena, porém o nascimento espiritual o introduz na vida do Reino de Deus. O apóstolo João reforça essa verdade ao declarar que os filhos de Deus não nasceram da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus (Jo 1.12,13). Portanto, a regeneração não depende da capacidade humana, mas da graça divina que atua no interior do pecador.

Além disso, a regeneração produz efeitos visíveis e concretos. Não se trata apenas de uma mudança de discurso, mas de uma transformação real da natureza interior. O profeta Ezequiel já havia anunciado que Deus daria um novo coração e colocaria um novo espírito dentro do Seu povo (Ez 36.26,27), antecipando essa obra renovadora do Espírito Santo. Paulo confirma essa promessa ao ensinar que, em Cristo, o homem deixa para trás a velha vida dominada pelo pecado e passa a viver segundo o Espírito (Rm 8.9). Assim, a regeneração marca o início de uma nova caminhada, orientada pela vontade de Deus.

Portanto, a doutrina da regeneração ensina que ninguém pode entrar no Reino apenas por tradição religiosa ou prática externa. O novo nascimento é indispensável e resulta em uma nova identidade espiritual. Aquele que foi regenerado manifesta arrependimento, fé genuína e desejo de obedecer à Palavra.

2. A Regeneração como exigência de Jesus.

Cristo declarou que: “Aquele que não nascer de novo não pode ver o reino de Deus” (Jo 3.3). Equivale dizer que a regeneração é absolutamente necessária (Mt 18.3). Ela é a porta de entrada no Reino, a obra inicial da graça que principia a transformação do pecador (1Co 6.9-11). No milagre do novo nascimento, há fé e arrependimento (Mt 4.17). Tornar-se uma nova criatura é uma exigência absoluta, uma condição essencial para a salvação (Gl 6.15). Portanto, o plano divino para a Regeneração deve ser pregado com prioridade (Mc 16.15).

Cristo não apresenta o novo nascimento como uma opção espiritual para os mais dedicados, mas como uma exigência absoluta para todo ser humano.

Essa declaração elimina qualquer confiança em herança religiosa, posição social ou prática externa, pois ninguém entra no Reino por mérito próprio. O próprio Senhor reforça essa necessidade ao ensinar que, se alguém não se converter e não se fizer como criança, de modo algum entrará no Reino dos céus (Mt 18.3). Portanto, a regeneração não é complemento da fé cristã, mas seu ponto de partida.

Além disso, a exigência do novo nascimento demonstra que o problema humano não é apenas comportamental, mas espiritual. O pecado corrompeu a natureza do homem, tornando-o incapaz de agradar a Deus por si mesmo. Por isso, não basta reformar atitudes; é preciso transformar o interior. Paulo lembra aos coríntios que muitos haviam vivido em práticas pecaminosas, mas foram lavados, santificados e justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito de Deus (1Co 6.11). Essa mudança radical confirma que a regeneração produz ruptura com o passado e inaugura uma nova realidade de vida.

No entanto, esse milagre ocorre mediante arrependimento e fé. Jesus iniciou Seu ministério proclamando que os homens deveriam arrepender-se e crer no evangelho, mostrando que a graça divina exige resposta humana. O arrependimento envolve mudança de mente e direção, enquanto a fé se apoia na obra redentora de Cristo. Quando o pecador atende a esse chamado, o Espírito Santo opera o novo nascimento, gerando vida espiritual onde antes havia morte. Assim, a regeneração não anula a responsabilidade humana, mas responde à fé sincera daquele que se volta para Deus.

3. O Pai como o autor da salvação.

A regeneração, ou novo nascimento, tem sua origem no plano eterno e soberano de Deus Pai (Ef 1.4,5). É Ele quem inicia a obra da redenção, movido por seu amor imensurável e por sua vontade de salvar os pecadores (Jo 3.16). Esse amor divino é a fonte primária da salvação — não condicionado aos méritos humanos, mas oferecido por graça divina, mediante a fé (Jo 1.13; Ef 2.8,9). Essa verdade gloriosa exalta o Pai como a fonte de toda boa dádiva e o autor da nova vida que recebemos (Tg 1.17,18).

Antes mesmo da fundação do mundo, o Pai já havia estabelecido, em sua presciência e propósito, a obra redentora em Cristo (Ef 1.4,5). Isso demonstra que a salvação não surgiu como resposta emergencial ao pecado, mas como expressão da vontade soberana de Deus. Desde o princípio, Ele decidiu chamar para si um povo regenerado, transformado e reconciliado. Portanto, quando falamos de novo nascimento, precisamos reconhecer que sua origem está no coração amoroso do Pai.

Além disso, o amor divino constitui a motivação central da regeneração. O texto de João 3.16 revela que Deus amou o mundo de tal maneira que entregou seu Filho unigênito.

Esse amor não se baseia em méritos humanos, pois a humanidade estava morta em delitos e pecados (Ef 2.1). Mesmo assim, Deus tomou a iniciativa de salvar. Paulo reforça essa verdade ao afirmar que Deus prova o seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós sendo ainda pecadores (Rm 5.8). Assim, a regeneração não resulta de esforço humano, mas da graça que flui do amor eterno do Pai.

Ao mesmo tempo, a Escritura ensina que essa nova vida não procede da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus (Jo 1.13). Tiago confirma que, segundo a sua própria vontade, Ele nos gerou pela palavra da verdade (Tg 1.18). Portanto, o Pai não apenas planeja a salvação, mas efetivamente gera vida espiritual no pecador por meio da Palavra e pela ação do Espírito Santo. Pedro também declara que fomos regenerados para uma viva esperança, segundo a grande misericórdia de Deus (1Pe 1.3). Dessa forma, toda a obra da regeneração exalta a soberania divina e elimina qualquer orgulho humano.

Consequentemente, reconhecer o Pai como autor da salvação produz humildade e gratidão no coração do crente. Se a nova vida vem de Deus, então toda glória pertence a Ele. Não fomos salvos por obras de justiça que houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia (Tt 3.5). A regeneração revela que a salvação é dom, não conquista.

4. O Espírito como agente da Regeneração.

A regeneração é um ato da misericórdia divina (Tt 3.5). É o Pai que a decreta (Ef 1.4), o Filho que a torna possível por sua morte e ressurreição (Ef 1.7), e o Espírito que a realiza no coração do pecador (Jo 16.8). Jesus explicou essa ação do Espírito ao dizer: “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Isso indica que onde o Espírito opera, ocorre transformação espiritual. Essa mudança se torna visível por meio do Fruto do Espírito na vida do regenerado (Gl 5.22).

A regeneração revela a perfeita harmonia da Trindade na obra da salvação. O Pai planeja, o Filho executa por meio de sua obra redentora, e o Espírito Santo aplica eficazmente essa salvação ao coração do pecador.

Paulo afirma que fomos salvos “pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo” (Tt 3.5), mostrando que o novo nascimento não é apenas uma decisão humana, mas um ato poderoso da misericórdia divina operado pelo Espírito. Portanto, quando ensinamos sobre regeneração, precisamos deixar claro que o Espírito não apenas convence, mas transforma profundamente a natureza do homem.

Jesus explicou essa verdade no diálogo com Nicodemos. Ao declarar que “o que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6), Ele distinguiu claramente a origem natural da origem espiritual. A carne produz aquilo que é limitado e inclinado ao pecado, porém o Espírito gera uma nova vida, capacitada a responder a Deus. Além disso, Cristo ensinou que o Espírito convence o mundo do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8). Esse convencimento não é mero sentimento de culpa, mas uma obra interna que desperta o pecador para sua real condição e o conduz ao arrependimento sincero.

Ao mesmo tempo, o Espírito não apenas inicia a transformação, mas passa a habitar no regenerado. Paulo afirma que, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele (Rm 8.9). Isso significa que a presença do Espírito é marca essencial do novo nascimento. Ele testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus (Rm 8.16) e nos capacita a viver de maneira diferente da antiga vida dominada pelo pecado. Assim, a regeneração não é simples mudança de comportamento externo, mas renovação interior que altera desejos, motivações e prioridades.

Como resultado dessa obra interna, surgem evidências visíveis. O fruto do Espírito descrito em Gálatas 5.22 — amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e temperança — manifesta a nova natureza implantada por Deus. Onde o Espírito opera, há transformação real. Ezequiel já havia profetizado que Deus daria um coração novo e colocaria dentro do seu povo um espírito novo (Ez 36.26,27), mostrando que a regeneração envolve mudança profunda e contínua.

II. A NATUREZA ESPIRITUAL DA REGENERAÇÃO

1. Uma transformação interior.

Nicodemos revelou incompreensão espiritual ao questionar Jesus: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” (Jo 3.4). A pergunta reflete sua visão limitada ao plano natural (1Co 2.14). O principal entre os judeus interpretou o “nascer de novo” como se fosse algo físico (da carne). Esse fato evidencia que a mente religiosa, espiritualmente morta, e presa à lógica humana, é incapaz de compreender que a justiça de Deus não advém das obras (Rm 10.3). Ele estava apegado à ideia de mérito para entrar no Reino de Deus, mas Jesus exigiu algo totalmente novo: uma transformação interior operada pelo Espírito, não um mero aperfeiçoamento de conduta ou aprimoramento moral, mas um Novo Nascimento, operado de dentro para fora, como obra do Espírito Santo (Jo 3.5).

Nicodemos representa o retrato de muitos religiosos sinceros, porém espiritualmente cegos. Embora fosse fariseu e mestre em Israel, ele não compreendeu de imediato as palavras de Jesus.

Quando perguntou: “Como pode um homem nascer, sendo velho?” (Jo 3.4), revelou que ainda raciocinava apenas dentro dos limites naturais. Paulo explica essa realidade ao afirmar que “o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus” (1Co 2.14). Ou seja, sem a ação iluminadora do Espírito, até mesmo alguém instruído nas Escrituras pode permanecer sem discernimento espiritual.

Além disso, Nicodemos estava inserido em um sistema religioso que valorizava profundamente as obras da Lei. Por isso, ele entendia a entrada no Reino de Deus como resultado de mérito pessoal. Contudo, a justiça que procede de Deus não se alcança por esforço humano, como ensina Romanos 10.3. O problema não estava na Lei em si, mas na incapacidade humana de cumpri-la plenamente. Assim, Jesus não propôs um ajuste externo de comportamento, nem uma intensificação das práticas religiosas; Ele apresentou a necessidade de algo radicalmente novo.

Quando Cristo declarou que é preciso nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5), Ele apontou para uma transformação interior profunda. Não se trata de reforma moral, mas de regeneração espiritual. O pecado afetou a natureza humana em sua essência; portanto, Deus não remenda o velho homem, Ele concede nova vida. O profeta Ezequiel já anunciava que o Senhor daria um coração novo e colocaria um espírito novo dentro do seu povo (Ez 36.26). Essa promessa encontra seu cumprimento na experiência do novo nascimento

2. Uma obra soberana do Espírito.

Jesus ensina a Nicodemos que, para entrar no Reino de Deus, é necessário nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5). Isso significa uma transformação espiritual completa: ser purificado dos pecados e receber renovação interior pelo poder do Espírito (Ef 3.16; 5.26). Essa mudança não pode ser produzida pela carne, mas somente pelo Espírito. Cristo assegura que “o vento assopra onde quer” (Jo 3.8). Assim como o vento é livre, o Espírito opera de modo soberano na salvação, sem ser controlado por nenhum esquema humano (1Co 2.11,12). É somente por essa ação divina que o pecador nasce espiritualmente e passa a ter uma nova vida (2Co 5.17). Assim, um cristão regenerado é aquele que teve o coração transformado e passou a viver segundo essa nova natureza espiritual (Ez 36.26,27).

Ao dialogar com Nicodemos, Jesus deixou claro que a entrada no Reino de Deus não depende de posição religiosa, tradição ou esforço humano, mas de uma intervenção direta do Espírito. Quando afirmou que é necessário nascer “da água e do Espírito” (Jo 3.5), Ele apresentou uma obra completa de purificação e renovação. A expressão aponta para a limpeza do pecado e para a transformação interior que somente Deus pode realizar. Paulo confirma essa verdade ao ensinar que o Senhor nos fortalece “com poder pelo seu Espírito no homem interior” (Ef 3.16) e que Cristo santifica a Igreja “com a lavagem da água, pela palavra” (Ef 5.26). Portanto, não se trata de algo externo, mas de uma atuação profunda no coração.

Além disso, Jesus faz uma comparação significativa: “O vento assopra onde quer” (Jo 3.8). Assim como ninguém controla o vento, ninguém controla a ação do Espírito. Ele age segundo a soberania divina.

Isso nos ensina que a regeneração não resulta de métodos humanos, estratégias emocionais ou fórmulas religiosas. O novo nascimento acontece quando o Espírito decide operar, convencendo o pecador e revelando-lhe a verdade. Paulo explica que somente o Espírito conhece as coisas de Deus e as revela ao homem (1Co 2.11,12). Sem essa revelação, o coração permanece endurecido.

Consequentemente, a nova vida surge a partir dessa ação soberana. O pecador não produz essa transformação; ele a recebe pela graça. Quando o Espírito gera vida, tudo muda. A velha condição é substituída por uma nova realidade espiritual, conforme afirma 2 Coríntios 5.17. Deus cumpre, assim, a promessa registrada em Ezequiel 36.26,27: Ele remove o coração de pedra e concede um coração de carne, sensível à sua vontade, capacitando o crente a andar em seus estatutos.

Dessa forma, o cristão regenerado demonstra evidências concretas dessa obra. Seus desejos mudam, sua compreensão espiritual se amplia e sua conduta passa a refletir a nova natureza recebida. A soberania do Espírito não anula a responsabilidade humana de crer, mas deixa claro que a iniciativa e o poder pertencem a Deus.

3. Uma nova vida e nova conduta.

Cristo deixou bem claro que “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6). Essa distinção mostra que nada da carne pode produzir vida espiritual. A carne gera concupiscência e aprisiona (Gl 5.19-21); somente o Espírito gera nova vida com fruto espiritual (Gl 5.22). O que é nascido da carne permanece dominado pela natureza pecaminosa (Rm 8.5). Mas, ao nascer do Espírito, o crente passa a viver sob uma nova condição espiritual: tornando-se um novo homem, com uma nova mentalidade: “e vos renoveis no espírito do vosso sentido” (Ef 4.23). Essa nova vida se evidencia na prática da justiça, no amor fraternal, no desejo pela Palavra e na obediência a Cristo — marcas da regeneração genuína (Rm 6.4; 1Jo 3.9).

Quando Jesus afirmou que “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito” (Jo 3.6), Ele estabeleceu uma linha divisória absoluta entre a velha natureza e a nova vida. A carne, por si mesma, não produz nada que agrade a Deus. Paulo descreve claramente as obras da carne em Gálatas 5.19-21, mostrando que ela conduz à impureza, à idolatria, às contendas e a toda sorte de pecados que afastam o homem do Reino. Além disso, em Romanos 8.5, o apóstolo explica que os que vivem segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne. Ou seja, a natureza humana caída direciona pensamentos, desejos e atitudes para longe de Deus.

Entretanto, quando o Espírito Santo opera a regeneração, Ele inaugura uma nova realidade interior. Não se trata de uma simples mudança de comportamento, mas de uma transformação de natureza.

O mesmo texto de Gálatas apresenta o contraste: o fruto do Espírito (Gl 5.22) evidencia a atuação divina na vida do crente. Amor, alegria, paz, longanimidade e domínio próprio não surgem da força humana, mas da vida espiritual implantada por Deus. Assim, o regenerado não apenas abandona práticas pecaminosas; ele passa a produzir fruto que glorifica ao Senhor.

Essa nova vida também envolve renovação da mente. Paulo exorta os crentes a se renovarem “no espírito do vosso sentido” (Ef 4.23). Portanto, o novo nascimento alcança pensamentos, valores e decisões. O salvo aprende a enxergar a realidade sob a perspectiva do Reino. Ele deixa de se conformar com este mundo e passa a buscar as coisas que são de cima, como ensina Colossenses 3.1,2. Essa mudança interior conduz a uma conduta visível, coerente com a fé professada.

Além disso, a regeneração conduz a uma caminhada prática de justiça. Romanos 6.4 afirma que fomos sepultados com Cristo pelo batismo na morte, para que andemos em novidade de vida. João reforça que aquele que é nascido de Deus não vive na prática do pecado (1Jo 3.9), pois a semente divina permanece nele. Isso não significa ausência de lutas, mas aponta para uma nova direção de vida. O regenerado não se sente confortável no pecado; ele busca agradar a Deus.

III. SINAIS DO NOVO NASCIMENTO EM CRISTO

1. A Justificação pela Fé.

Pela fé em Cristo, o pecador é justificado, recebendo uma nova posição diante de Deus, não por mérito pessoal, mas pela obra redentora do Calvário (Rm 3.24,28). O crente não é apenas perdoado, mas é declarado justo diante de Deus, isto é, absolvido da culpa, da punição e da condenação do pecado (Rm 4.7,8). Essa dádiva é recebida somente por meio da fé, como resposta à graça de Deus revelada em Cristo (Rm 3.22). A justificação, portanto, não acontece à parte da fé, mas após a pessoa crer em Cristo como Salvador (Gl 2.16). Esse é o resultado da ação do Espírito Santo que leva o pecador à fé e, consequentemente, à justificação (Jo 16.8). Os efeitos da justificação pela fé incluem a paz com Deus (Rm 5.1) e a adoção como filhos amados do Pai (Jo 1.12).

Desde a queda, o homem se tornou culpado e separado do Criador, incapaz de restaurar por si mesmo essa comunhão quebrada. Entretanto, pela fé em Cristo, o pecador é justificado gratuitamente “pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.24). Paulo reforça que “concluímos, pois, que o homem é justificado pela fé sem as obras da lei” (Rm 3.28). Portanto, a base da justificação não está em esforço humano, mas exclusivamente na obra consumada no Calvário.

Justificar significa declarar justo. Não se trata apenas de perdão, mas de uma declaração divina que absolve o pecador da culpa e da condenação.

Romanos 4.7,8 mostra que aquele cujos pecados são perdoados é considerado bem-aventurado, pois o Senhor não lhe imputa iniquidade. Além disso, 2 Coríntios 5.21 revela a profundidade dessa troca: Cristo, que não conheceu pecado, foi feito pecado por nós, para que n’Ele fôssemos feitos justiça de Deus. Assim, Deus continua sendo justo e, ao mesmo tempo, justificador daquele que tem fé em Jesus (Rm 3.26).

Essa justificação é recebida somente mediante a fé. Romanos 3.22 afirma que a justiça de Deus se manifesta “pela fé em Jesus Cristo para todos e sobre todos os que creem”. Não há distinção de origem, condição social ou passado moral; todos precisam crer. Gálatas 2.16 também enfatiza que ninguém é justificado pelas obras da lei, mas pela fé em Cristo. A fé, portanto, não é mérito, mas o meio pelo qual o pecador se apropria da graça oferecida. Nesse processo, o Espírito Santo convence o homem do pecado, da justiça e do juízo (Jo 16.8), conduzindo-o ao arrependimento e à confiança em Cristo.

Os efeitos dessa verdade são profundos e práticos. Romanos 5.1 declara que, “justificados, pois, pela fé, temos paz com Deus”. A inimizade é desfeita, e a comunhão é restaurada. Além disso, João 1.12 ensina que aqueles que recebem a Cristo recebem poder para serem feitos filhos de Deus. A justificação, portanto, não apenas muda nosso status diante do tribunal divino, mas também inaugura um relacionamento de adoção e intimidade com o Pai.

2. A vida de Santificação.

Na obra da Redenção, o pecador é imediata e simultaneamente salvo, regenerado, justificado e adotado como filho de Deus (At 13.39; Jo 5.24; Rm 8.15). A partir daí, inicia-se o processo contínuo de santificação, ou seja, uma vida separada do pecado e consagrada à obediência, até a sua glorificação final no dia de Cristo (2Co 3.18). O crente passa a viver segundo o Espírito e não mais como escravo da carne (1Ts 4.3,4). Conforme abordado na lição anterior, a santificação apresenta aspectos posicionais e progressivos, à medida que o crente avança em maturidade espiritual e se torna mais semelhante a Cristo (1Pe 1.15,16). Essa nova vida recebida na regeneração se manifesta pela renúncia ao pecado e pela prática contínua da justiça e santidade (Rm 6.11; Ef 4.24).

Na obra da Redenção, quando o pecador crê em Cristo, Deus opera uma transformação completa e imediata. Ele é justificado, regenerado, adotado como filho e libertado da condenação (At 13.39; Jo 5.24; Rm 8.15). No entanto, embora a salvação aconteça de forma instantânea, a santificação se desenvolve ao longo da vida cristã. A partir do novo nascimento, inicia-se uma caminhada contínua de separação do pecado e de consagração a Deus, que culminará na glorificação no dia de Cristo (2Co 3.18; Fp 1.6).

Santificação significa separação para Deus e dedicação à sua vontade. Não se trata apenas de abandonar práticas pecaminosas, mas de viver de modo ativo para agradar ao Senhor.

Paulo afirma que “esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1Ts 4.3,4). Portanto, o crente não vive mais como escravo da carne, pois foi libertado do domínio do pecado (Rm 6.6,14). Agora, ele aprende a andar no Espírito, mortificando as obras do corpo (Rm 8.13) e desenvolvendo uma vida que reflete o caráter de Cristo.

Além disso, a santificação possui um aspecto posicional e outro progressivo. Posicionalmente, Deus já nos separou para si em Cristo (1Co 1.2). Progressivamente, porém, crescemos em maturidade espiritual à medida que obedecemos à Palavra e nos submetemos à ação do Espírito Santo. Pedro exorta: “Sede santos, porque eu sou santo” (1Pe 1.15,16). Esse chamado mostra que a santidade não é opcional, mas evidência da nova natureza recebida na regeneração. Assim, o crente avança, abandona práticas antigas e desenvolve novas atitudes, revestindo-se do “novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade” (Ef 4.24).

Essa nova vida se manifesta de maneira prática. O regenerado considera-se morto para o pecado, mas vivo para Deus (Rm 6.11). Ele passa a amar o que é justo, rejeitar o que desagrada ao Senhor e buscar comunhão constante com Deus por meio da oração e da Palavra (Sl 119.9,11). A santificação, portanto, confirma a autenticidade da fé. Quem foi salvo não permanece na prática do pecado, mas demonstra, por meio de uma vida transformada, que pertence a Cristo (Hb 12.14).

3. O Fruto do Espírito.

Um importante efeito visível da regeneração é o fruto do Espírito: “amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22,23). Não se trata de dons espirituais, mas de virtudes que o Espírito Santo produz no caráter do regenerado como expressão de sua nova vida (Ef 2.10). Antes, era dominado pelas paixões carnais, mas agora manifesta a presença do Espírito em suas atitudes diárias (Rm 8.5). Portanto, o Fruto do Espírito é a evidência prática da Regeneração (Mt 7.16). Quem nasceu de novo passa a refletir, ainda que imperfeitamente, o caráter de Cristo em suas palavras, ações e reações (Lc 6.40). Tal postura não pode ser esporádica, mas uma marca contínua da nova vida recebida em Cristo (Mt 5.16).

A regeneração não permanece apenas no campo invisível do coração; ela se evidencia na prática diária por meio do fruto do Espírito. Paulo declara que “o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança” (Gl 5.22,23). Observe que o apóstolo fala em “fruto”, no singular, indicando uma obra unificada que o Espírito Santo desenvolve no caráter do salvo. Não se trata de dons espirituais concedidos para ministérios específicos, mas de virtudes morais que revelam a nova natureza implantada por Deus (Ef 2.10). Assim, enquanto os dons apontam para o serviço, o fruto aponta para o caráter.

Antes da conversão, o homem vivia dominado pelas obras da carne, cuja lista o próprio Paulo apresenta anteriormente (Gl 5.19-21). Contudo, após nascer do Espírito, ele passa a inclinar-se para as coisas do Espírito (Rm 8.5).

Essa mudança não ocorre por esforço meramente humano, mas pela ação contínua do Espírito Santo que habita no crente (1Co 6.19). À medida que o salvo se submete à Palavra e mantém comunhão com Deus, o Espírito produz nele um caráter semelhante ao de Cristo. Jesus ensinou que “pelos seus frutos os conhecereis” (Mt 7.16), deixando claro que a autenticidade da fé se comprova por evidências visíveis.

Além disso, o fruto do Espírito reflete o próprio caráter de Cristo. O discípulo é chamado a tornar-se semelhante ao seu Mestre (Lc 6.40). Portanto, amor sacrificial, mansidão diante das afrontas, domínio próprio em meio às tentações e paz em circunstâncias adversas não surgem de uma personalidade naturalmente equilibrada, mas de uma vida transformada. Essa luz não deve ficar oculta; ao contrário, deve brilhar diante dos homens para que glorifiquem ao Pai que está nos céus (Mt 5.16). Dessa forma, o fruto do Espírito confirma a realidade da regeneração e demonstra que o crente não apenas professou fé, mas experimentou uma verdadeira mudança interior que se manifesta continuamente em sua conduta.

CONCLUSÃO

A regeneração é uma obra trinitária operada pelo Espírito Santo. Não é um esforço humano, mas uma transformação espiritual profunda. Como regenerador, o Espírito concede nova vida, uma nova natureza e uma nova direção ao ser humano. É necessário nascer do alto para ver e entrar no Reino. Que cada crente se deixe conduzir pelo Espírito e reflita, dia a dia, a natureza divina recebida no Novo Nascimento.

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